Em 2001 a Treasure lançaria aquele que viria a ser um dos mais marcantes shoot’em ups da história dos videojogos. Com mecânicas de polarização de transfiguravam por completo a abordagem mecânica ao género, Ikaruga é até hoje um dos jogos mais influentes do género. Inovar, em geral, é difícil. Inovar, num género já tão badalado ao longo de décadas quanto os shoot’em ups é ainda mais difícil. 

Dezoito anos depois essa influência de Ikaruga ainda se pode fazer sentir, e Pawarumi, recém-lançado na Switch e na Xbox One é o caso mais evidente. Se no caso do clássico da Treasure a polaridade entre duas cores, em Pawarumi passamos a três, as primárias da cor-luz, Verde, Azul e Vermelho. Esta mudança de duas mudanças cromáticas de Ikaruga para as três de Pawarumi permite a adição de mecânicas de recompensa diferentes.

A tónica destes dois jogos é a gestão mecânica que temos de fazer entre risco e recompensa. Em Pawarumi, numa lógica de pedra-papel-tesoura que pode ser trocada para fãs de Pokémon por Charmander-Squirtle-Bulbasaur, os inimigos têm três cores distintas, o que significa que a cor de balas que usamos terá efeitos diferentes, cada uma com forças e fraquezas em relação às restantes duas.

Se utilizarmos a cor de balas fortes em relação à cor do inimigo e do seu escudo damos dano a dobrar, naquilo que mecanicamente é intitulado em Pawarumi como CRUSH. Se igualarmos com as nossas balas a cor do inimigo vamos reenergizar o nosso escudo com a mecânica BOOST, e por fim, se os atingirmos com a cor de balas ao quais são fortes vamos fazer DRAIN e lentamente encher a nossa barra de vida.

Escolher se damos o dobro do dano aos inimigos que preenchem o ecrã com os seus projécteis ou se fortalecemos os nossos escudos e barra de vida são algumas das decisões mecânicas que temos de ir fazendo em fracções de segundo para ultrapassar o desafio de Pawarumi, ainda que o conteúdo seja amplamente limitado. Os níveis não têm uma diversidade assim tão grande e o seu número curto acabam por tornar a experiência de Pawarumi algo curto, e que nos deixa ansiar por mais graças às suas boas ideias mecânicas.

A mistura curiosa entre a linguagem estética asteca e a ficção científica é algo que resulta a favor do jogo, mas cuja repetição dos poucos níveis que existem acaba por deixa-nos um sabor a pouco na boca. 

Pawarumi é um shoot’em up interessante, com óbvias inspirações no magnânimo Ikaruga, mas falta-lhe mais polpa mas alimentar o adocicado sumo que nos dá. Um bom shooter indie que peca sobretudo por nos deixar com vontade de mais, e não ter o que dar.

Pawarumi está disponível para PC, Switch e Xbox One.