O termo Wolfenstein faz parte da cultura pop desde que esse nome clássico dos videojogos foi lançado em 1992 onde o jogador chacina nazis como se estivessem a dar um bónus ao melhor assassino, se William “B.J.” Blazkowicz, fizesse parte dos Inglourious Basterds, ele não devia 100 escalpes ao Tenente Aldo Raine, o esquadrão inteiro já estava em débito com ele. O nome Youngblood é ainda mais antigo, um filme dos anos 80 sobre um jovem e o seu sonho de jogar hóquei no gelo, com Rob Lowe como o jovem, Patrick Swayze o seu irmão mais velho e Keanu Reeves como guarda-redes da equipa e amigo. Mas por mais violento que o desporto seja, este jogo é muito mais, Wolfenstein: Youngblood não é sobre o negócio de desporto, é sobre o negócio de matar nazis. E meus amigos, o negócio está em grande!

Há cerca de dois anos o Ricardo analisou o jogo que antecede este, e apesar de não ter jogado agradou-me ver os seus elogios especialmente acerca da história, algo que me deu algum alento quando entrei neste Wolfenstein: Youngblood. Mas infelizmente o que encontrei não foi uma história com diálogos interessantes, foi um First Person Shooter banal, mesmo que graficamente acima da média, e com algumas mecânicas de RPG aliadas ao co-op.

Quando começamos a nossa aventura escolhemos uma das irmãs Blazkowicz, Jessica ou Sophia, filhas gémeas do protagonista das aventuras anteriores. A escolha é perfeitamente arbitrária e puramente estética, tal como os fatos e capacetes que podem usar. Podemos comprar créditos em microtransações para poder ter outros fatos e looks mas mais uma vez, é apenas visual. A única diferença é nas armas com que iniciam a aventura, uma tem uma arma para alcance curto e médio e a outra para um alcance médio curto, mas com o avançar da primeira missão temos acesso a mais armas e essa diferença torna-se supérflua. Podemos jogar com um amigo, um estranho ou sozinhos contando com uma A.I. duvidosa que controla a “nossa irmã”. Duvidosa, porque ao contrário de quando jogamos com alguém com quem podemos falar e coordenar acções nestes jogos, é difícil que a nossa parceira faça aquilo que precisamos em certas alturas, algo que quando estamos rodeados de inimigos armados até aos dentes pode ser fatal.

Mesmo sem essa “falha” Wolfenstein: Youngblood  ainda tem outros que o arrastam do bom para o razoável. Se o jogo anterior tinha um enredo interessante aqui temos algo que se torna quase arrepiante, especialmente nos diálogos e voice acting das irmãs. As suas conversas são de rebolar os olhos, especialmente quando pensamos que foram duas raparigas criadas como soldados, num mundo distópico em que deviam ser quase soldados mas falam como um surfista californiano. Ao ponto de eu muitas vezes não fazer o comando necessário para dar um boost de energia às duas porque não queria ouvir mais uma vez: “You are a badass!” ou “Hell yeah, sis!”. Tenho perfeita consciência que é um pormenor, mas ao fim de um tempo é um pormenor irritante, como um mosquito que de vez em quando voa um bocadinho numa noite quente de verão em que não conseguimos dormir. Não é constante, é só o suficiente para ser muito incómodo. Além dos diálogos o enredo é aborrecido e previsível a partir de uma altura, deixando-nos com pouco interesse para continuar. Ocasionalmente temos uns pequenos momentos que mostram atenção ao pormenor como por exemplo quando as irmãs matam o primeiro inimigo. Sem spoilers, vou dizer apenas que é um momento muito realista durante uns segundos antes de cair no “‘Murica! F#ck Yeah!” outra vez.

A componente de RPG dá algum interesse a Wolfenstein: Youngblood, podemos aumentar as capacidades das nossas protagonistas ou das nossas armas, mas não é o suficiente para compensar o resto. Os níveis são interessantes, os mapas estão bem desenhados e a dinâmica de alguns inimigos terem que ser derrotados com um tipo específico de armas dá uma camada táctica a um jogo que ocasionalmente é apenas um festival de balas, sangue e explosões.

Wolfenstein: Youngblood é um FPS razoável, não é brilhante, não é icónico como os seus antecessores. As inovações que foram introduzidas podiam dar um jogo melhor mas infelizmente não conseguem chegar ao nível do anterior. As filhas de Blazkowicz não são muito diferentes do seu pai. Infelizmente não chegam ao seu nível.

(Jogo testado na versão Xbox One, também disponível em PS4, Nintendo Switch e PC)