O facto da tecnologia e a informática dominarem por completo as nossas vidas acabou por levar a que algumas das pessoas-chave desta transfiguração tecnológica da sociedade se tornassem não apenas algumas das personalidades mais influentes do mundo, mas também algumas das mais ricas. 

Há algo de idílico na ideia de Silicon Valley e na crescente sensação de unicórnios que vão tornar mais um entrepreneur milionário do dia para a noite, com negócios que começam na cave das casas dos pais e que se materializam pouco tempo depois em escritórios state of the art onde os funcionários vivem em constante liberdade criativa. 

Já várias comédias parodiaram este pensamento tão contemporâneo das expectativas de empresas, mas nenhuma como Arrested Development descreveu a forma como é possível criar uma empresa que está a trabalhar numa ideia impossível e mesmo assim consegue gerar lucros, e Veep, com a descrição da fictícia Clovis, que abraça toda esta mentalidade de lifestyle e new age correlacionada com as novas companhias de tech.

Lançado há poucas semanas em Early Access, Tech Corp. é mais um indie tycoon a surgir neste Verão, e que parece sofrer do mesmo problema de muitos tycoons que têm surgido no mercado. Tenta, ainda que de forma fugaz, traduzir em videojogo o nascimento e crescimento de uma startup.

Desenvolvido pelo estúdio Mardonpol Inc., Tech Corp. apresenta premissas interessantes para um jogo de gestão de uma startup de tecnologia, mas rapidamente se torna evidente o seu loop, e a velocidade a que ele se gasta. 

Começamos com uma empresa na garagem, ao bom estilo de Silicon Valley, na esperança de chegar à riqueza de Bezos e Zuckerberg. Os nossos primeiros funcionários são de R&D, e só com a sua acção começarmos a receber propostas de desenvolvimento de software, e posteriormente hardware.

Contratar programadores é o próximo passo obrigatório para cumprirmos os contractos estabelecidos. Para o fazer precisamos de entregar “partes” do software que se unem num todo, o que mecanicamente significa que cada programador vai desenvolver “blocos de código” como ingredientes de uma receita. Cumpridos os elementos o contracto é cumprido.

Quando os nossos clientes começam a pedir o desenvolvimento e construção de hardware, a nossa atenção vai começar a dividir-se entre o escritório e a fábrica que adquirimos para iniciar a produção dos nossos protótipos. 

O problema deste jogo em alpha neste momento é que o loop é semelhante ao de Esports Life Tycoon: barras de progresso e gestão da energia dos nossos funcionários, indicando-lhes pausas suficientes para poderem repor as suas energias. 

E é a isto que se traduz Tech Corp.: uma sucessão de barras de progresso, automatismos de trabalho entre managers e trabalhadores, e contractos para serem cumpridos. A profundidade é pouca e a ideia de tycoon cai por terra para aquilo que é mais um time-management game do que propriamente um bom jogo de gestão de empresas.

Tech Corp. vai ficar como mais uma oportunidade perdida de criar um tycoon interessante e profundo, mas denota também uma certa confusão na actual geração de indie devs que misturam o conceito de jogos de gestão com um simples time management game.