Hora do Meh #29

Há quem diga que este Agosto foi meh. Eu acho isto injusto. Agosto de 2019 foi um mês excelente, que não me fez suar excessivamente (e a camisola licantropa que tenho vestida desde a adolescência bem me faz suar em qualquer altura do ano), e que até foi simpático com o facto de eu me vestir quase sempre integralmente de preto. Foi um mês que até me deu a possibilidade de assistir a Candlemass ao vivo com chuva torrencial, e sentir as memórias do eu-adolescente gótico dentro de mim a regozijar-se com o ensemble cénico. 

Mas acreditemos na grande maioria das pessoas que até ficaram desiludidas com o mês de Agosto e acham que foi um mês meh, provavelmente o Agosto mais meh do qual têm memória. Pensemos neste ido mês de Agosto e falemos de dois dos jogos mais meh que jogámos nesse suposto mehs de Agosto! 

Tetsumo Party [PC, Switch, PS4]

Pensar em game shows bizarros e não pensar automaticamente no Japão é um erro. Sem precisar de falar do genial Takeshi Castle, pensemos em Brain Wall, que já foi adaptado praticamente em todo o lado, e que teve uma versão portuguesa apresentada pela Diana Chaves e pelo Marco Horácio. (Falando de meh…)

Neste programa o objectivo é reproduzir com o corpo o formato do buraco apresentado na parede que se move na direcção dos concorrentes, o que lhe valeu a alcunha de Tetris humano. Os vídeos espalhados pela internet são indubitavelmente divertidos. Mas fazer um videojogo apenas disto…

É isso mesmo, Céline. Acredito que como ideia de mini-jogo seja divertido. Lembro-me da participação do Wilson Almeida na Jam do PewDiePie (e que acabou por ser streamada pelo famoso youtuber) e que envolvia precisamente isto. A proposta do estúdio Monster Couch, Tetsumo Party, à venda por 4,99€, é apenas isto. Coisa que se se esgota mais rápida do que o número consecutivos de dias de Agosto em que esteve um tempo (dito) espectacular.

DUSTNET [PC]

Tive de ler a explicação dos próprios developers para perceber o título do jogo. DUSTNET utiliza um dos mapas removidos de CounterStrike, Dust2, e utiliza-o para criar um jogo de deathmatch com crossplay de diversas plataformas, misturando experiências convencionais com VR e AR. 

Há ideias verdadeiramente maravilhosas neste jogo criado pelo estúdio SCRNPRNT, e que custa 4,99€ no Steam. É que para além do crossplay de pessoas com dispositivos diferentes, cada um deles confere uma abordagem diferente. Quem estiver no PC tem uma experiência expectável de um FPS, ao passo que quem estiver com um dispositivo VR vai controlar umas mãos que sobrevoam o nível e atacam os restantes jogadores, e quem tiver um dispositivo de AR vai poder ver tudo isto como um olho “divino” sobre todos os restantes.

A premissa é interessante, mas DUSTNET tem um problema cabal para todos os jogos unicamente multiplayer: os servidores estão vazios. Tudo isto associado ao facto de que o limitado conteúdo de DUSTNET se esgota rápido, torna-o, infelizmente, numa experiência mediana que parte de óptimas ideias.