Catherine foi desenvolvido para a PlayStation 3 e lançado em 2011. Hoje, sai para retalho Catherine: Full Body: um re-hash da história e uma actualização para as consolas de presente geração.

Magnífica apresentação nos menus e nas novas cutscenes. Infelizmente, as cutscenes in-engine também presentes no primeiro jogo não partilham deste cuidado nem foram refeitas. Das poucas coisas negativas que tenho a apontar.

A história de Catherine é simples: uma comédia dramática com uma pitada de thriller capaz de arrancar sorrisos e gargalhadas até aos de musculatura facial mais rígida. Vincent Brooks, trinta e poucos anos, em relação de longa data com Katherine, vê-se pressionado pela sua parceira a seguir em frente com a vida – é-lhe requerido casamento e filhos. E talvez pela falta de maturidade (ou possivelmente até vontade) Vincent apresenta-se reticente perante esta proposta. Até em que uma saída até tarde em Stray Sheep, o bar onde decorre toda a acção social de Catherine (e consequentemente Catherine: Full Body), presenciando o retorno a casa do seu grupo de amigos e deixando se ficar, este é abordado por uma rapariga na flor da idade, Catherine, e com que tem o prazer (ou oportunidade de atormentar o seu sono com pesadelos durante uma semana) de experienciar uma one-night-stand. Na noite seguinte, Catherine já o ameaça de morte caso seja traída com outra pessoa. O tom da história, tanto em essência como na forma como é contada, é irónico e caricato, contrastando com o quão a sério (por vezes) se tenta levar visualmente e também na linguagem que usa. A história e a forma como são contadas foi um genuíno piscar de olho ao ocidente numa altura em que a equipa procura desviar mais olhares para a sua série principal: apesar das personagens de anime e o sake, a forma como todos em volta de Vincent reagem ao sucedido está longe de ser uma postura ou reacção standard nipónica.

You’ll never see it co-miiiiinnnnnnnnnnggggggg!

O jogo é um excelente exemplo de princípios da direcção são levados ao absurdo, uma vez que a história o proporciona. Um dos estúdios internos da ATLUS, a P-Studio, responsável pela franquia Persona desde o terceiro jogo (Persona 3, isto é) e dirigido por Katsura Hashino, agora mais tarde designado por Studio Zero, parece obcecado com explorar a ideia de dualidade: Catherine partilha inúmeros princípios e ideias que a agora série dourada da ATLUS adoptou quando lançou SMT: Persona 3 em 2006. Enquanto Catherine representa o extremo da ‘loucura, irresponsabilidade, inconvencionalidade’ da monogamia, Katherine representa o extremo oposto. A mesma dualidade é evidente na jogabilidade: por um lado, a jogabilidade puzzle de acção frenética, por outro a calma e ponderada jogabilidade de um simulador social. ‘Would you like to speak to Lindsay?’ ‘ Would you like to speak to Martha?’ perguntam duas senhoras gémeas já de idade a Vincent quando abordadas em Stray Sheep, não só estas tomam o papel de oráculo, como de narrador omnisciente da história. Quem julguei não ter par muito devido à forma como Catherine: Full Body foi publicitado era Rin, a nova miúda da história, que acaba por ter um papel importante na história e contrasta com o principal antagonista (algo que só entenderão após terminarem o jogo). Muito do meu cepticismo relativamente a este jogo recaiu sobre esse facto.

Após terminar Catherine: Full Body o cepticismo é tão justificado como beber uma média Cergal quente no verão. E a minha confiança na equipa está oficialmente restaurada se alguma vez foi posta em causa: eu, tal como vocês deveriam, não poderia estar mais curioso e entusiasmado com Project Re:Fantasy levado a cabo pela Studio Zero. Mas isso são conversas para outra altura, se serão conversas sequer, durante o curto tempo que habitamos a terra.

Recomendaria Catherine: Full Body (ou Catherine na PS3) não só a fãs da Studio Zero, não só a jogadores casuais de Candy Crush saga, mas mais até a todos aqueles que gostam de ver anime. Enquanto num terço do jogo estão a trocar os pés pelas mãos para subirem uma torre de blocos em queda (e esse terço podem até saltar devido ao novo modo de dificuldade Safe), os outros dois terços são para apreciar com umas bebidas e aperitivos. Um desses dois terços consistem em ver a história desenrolar em cutscenes, o outro terço estão a embebedar Vincent enquanto vos apresentam trivia sobre, por exemplo, a arte da mixologia ou vinhos e decidem como haverão de responder às SMS das vossas waifus.

Catherine: Full Body conta com quatro níveis de dificuldade e dois possíveis modos para apreciar os seus puzzles (clássico ou remix). Durante a playthrough para esta análise, jogámos o jogo em modo normal remix (uma vez que o modo hard remix mostrou-se para malta de outra envergadura) e o jogo está mais acessível de completar e mais complicado para obter pontuações altas. Comparativamente ao jogo original, o único modo adicional foi online play onde podemos competir com outros jogadores online, mas não experimentá-mos porque pagar o PlayStation Plus é um bocado lame. O jogo original conta com modo multiplayer local (challenge) e o modo Babel onde poderemos testar as nossas capacidades em quatro níveis diferentes com alguma aleatoriedade nos padrões de blocos da torre à mistura. Ironicamente, no jogo original o último estágio de Babel (Axis Mundi) tinha um bug na versão europeia que só permitia ser completo em multiplayer co-op, este que está disponível apenas neste modo. Deixo aqui assegurado que este nível foi corrigido.

Para além da personagem adicional que, mais uma vez, veste-se na história como uma luva, o jogo conta com mais finais alternativos para as personagens antigas, finais para a personagem nova e várias cutscenes adicionais durante o decorrer da história. Este jogo faz-se sentir como a versão definitiva da história e neste momento, para mim (verdadeiro fã assumido do jogo original), não faz sentido considerar o jogo e a história antiga a menos que tenham jogado o jogo original e tenham ficado de barriga cheia, sem motivos para lhe voltar a pegar. Se nunca jogaram o original, agora, mais que nunca, faz sentido pegarem em Catherine: Full Body e entenderem o motivo de tanto fanboyismo, celebração e entusiasmo à volta da história, das personagens e dum verdadeiro jogo de culto.