Sou um condutor regrado, cauteloso e detesto grandes velocidades. As coisas mais radicais que fiz ao volante foram, por ordem crescente, conseguir curvar numa rua perpendicular e estreita de uma vila alentejana, e escalar quase na vertical um pequeno monte com um jipe. Coisa que falhei em fazer à primeira tentativa, redondamente, com um misto de excesso de sentido de auto-preservação (vulgo, cagufa) e uma inépcia gritante que levou ao desespero o instrutor ao meu lado. Mas nos rallies em videojogos? Meus caros, aí eu sou o rei, sou o _________ (inserir nome de um campeão de rallies famoso que eu não cheguei a ir ver ao Google).

Já muito o mercado caminhou desde que Sega Rally era rei, apenas para ser destronado por Collin McRae Rally (olha afinal lembrava-me de um nome), série da Codemasters que ocupa o trono dos videojogos de Rally até hoje, ainda com o rebranding para DiRT. A diferença entre aquilo que na década de 1990 pensávamos como ser o extremo realismo (e era, para os avanços tecnológicos permitiam) e o que hoje os simuladores atingem realmente.

WRC anda por estas paragens desde 2001, ainda que sempre tenha tido dificuldade por se impor perante a franquia da Codemasters. Mas depois de eu ter estado muitos anos sem jogar a série que adapta a temporada competitiva do desporto real, tenho de admitir que o patamar onde WRC 8 colocou a série aproxima-o, e muito, de DiRT, o invicto triunfante do género.

O acesso aos licenciamentos de carros e competições são sempre uma mais-valia de WRC, mas não acredito que seja o seu maior motor de sucesso. Os três escalões distintos de competição, Junior WRC, WRC 2 e WRC, servem como uma evolução de desafio para os jogadores: entre aqueles que só chegam agora à série e aqueles que já lhe conhecem as curvas.

WRC 8 não é apenas simulação de rallies. Há uma grande componente da gestão da nossa equipa competitiva e de tudo o que a circunda, afinal, ao contrário do que muita gente imagina, para o sucesso de um piloto existe um bastidor imenso de pessoas que suportam a sua carreira. Sejam meteorologistas ou mecânicos, o nosso objectivo é contratar os melhores profissionais para estas e outras posições, para que eles contribuam da melhor forma para cada prova.

Entre provas há um sistema de R&D que necessita de ser explorado, onde, com skill points desbloqueados pelas nossas prestações em campo, vamos desbloqueando habilidades numa skill tree que não inclui só o nosso carro, mas também a os profissionais que trabalham connosco.

O aprimoramento técnico neste jogo é surpreendente. A definição das Físicas de condução, dos efeitos dos diversos tipos de terreno ao nosso veículo e aos seus componentes. Este cuidado visual é igualmente perceptível no realismo e brilhantismo visual de WRC 8. Com uma grande diversidade de abordagens climáticas a cada prova, até os níveis nocturnos conseguem criar o ambiente desafiante que as provas do género devem provocar a um piloto de condução real.

Não sendo de todo um conhecedor do desporto automóvel, muito menos do Rally, a verdade é que o realismo de WRC 8 e a sua proximidade com as competições reais acabam por conseguir uma boa passagem de conhecimento da modalidade até a um leigo como eu.

Há muitos anos que DiRT se sentava confortavelmente no trono dos jogos de Rally sem qualquer oposição considerável. Mas WRC 8 consegue causar ao poderoso título da Codemasters uma salutar competição.