Não sei como encontrei este jogo, simplesmente pareceu-me hilariante. Há uma pequena probabilidade de ter ganho popularidade do Twitter, mas sem certezas. Saiu há uns dias em exclusivo nas consolas para a Nintendo Switch, mas também no PC. Não recebemos código, portanto #honestidade.

Magnífico. Magnífico.

Não sei se alguma vez encontraram um ganso, mas estes conseguem ser verdadeiramente aterradores. E atenção, se depois de jogarem Untitled Goose Game acharem que os gansos são animais com um aprumado sentido de inconveniência, uma veia latejante para o pandemónio, tudo isto sem dar uma dentada ao humanos nas vizinhanças, é apenas parcialmente verdade. São lixados para a porrada.

Untitled Goose Game apresenta-se de forma ambígua, notável até pelo título. Controlamos um ganso: podemos andar, chamar à atenção com o nosso Quack!, correr, baixar ou elevar o pescoço, abrir as nossas magníficas asas e interagir com o ambiente: como roubar uma boina a um jardineiro ou ligar-lhe o sistema de rega. A jogabilidade proporciona as boas gargalhadas, não só pelo contexto das situações mas também pelas suas repercussões. Untitled Goose Game é um sandbox na sua essência, onde ligar o jogo por 15 minutos para viver na pele de um ganso e instaurar o caos é tão divertido como o fazer em algum jogo da série Grand Theft Auto pela primeira vez — UGG é excelente a desenterrar essa incrível sensação de liberdade e de querer fazer o que bem nos dá na gana.

Apesar de ser um jogo sandbox a grande generalidade das interações estão scripted, em que os NPC seguem rotinas fixas (para o esperado e para o caos instaurado), algo que joga a favor de mecânicas stealth e da nossas estratégias para alcançar objectivos. Esses objectivos estão compilados em várias To Do list e completá-las é o que faz progredir de cenário, conhecer novas personagens e causar o caos em mais uma vizinhança. Muito semelhante a Goat Simulator, UGG é mais sofisticado, em menor escala e com um humor curado.

A nível visual, UGG conta com um visual low-poly com uma palete colorida a tender para as cores secas, um visual que não é propriamente original na cena indie e que é tão neutro que consegue praticamente suportar qualquer tom de qualquer jogo com qualquer género, ainda assim, neste contexto acaba por lançá-lo para um tom irónico, pessoalmente, de meu agrado. O sound design do jogo é dinâmico, composta maioritariamente por pequenos trechos de piano despejados aquando de determinadas acções ou acontecimentos. Um exemplo que muitos de vós certamente reconhecerão (apesar de ser um género de jogo e uma banda sonora com um tom completamente diferente) será a banda sonora de TLoZ:Breath of the Wild durante a exploração de Hyrule.

Untitled Goose Game é um verdadeiro exemplo. Hilariante, impossível de não entranhar em toda a família. Amor ao primeiro Quack! Como referi neste texto, o primeiro jogo que me remeteu para uma insaciável curiosidade interactiva desde a série Grand Theft Auto sem se parecer uma cópia deste, mas sim um take fresco e igualmente hilariante. Apesar de bastante curto (menos de uma mão cheia de horas), um valor razoável pelos 20€ pedidos, um compra obrigatória no caso de desconto. Mas magnífico.