Setembro, altura do ano em que o Verão costuma dizer adeus, em que as séries regressam à televisão, e em que os jogos de futebol fazem a sua aparição anual. O PES, habitualmente mostra a sua cara antes do FIFA, e já foi escrutinado pelo João, num ano em que a Konami conseguiu um acordo de exclusividade que quase, quase poderia fazer mossa à EA Sports, mas que abre, no meu entender, uma guerra fratricida que pode vir a prejudicar os 2 títulos.

Falo, é claro, da ausência da Juventus de FIFA 20, depois de ter sido capa no ano anterior com o estratosférico Cristiano Ronaldo como face da iteração 19. Mas este ano a Juventus assinou exclusividade com a Konami, deixando um lugar vazio no FIFA ocupado pelo Piemonte Calcio, esse famoso clube desconhecido onde perfilam nomes como Bouffon, Cristiano Ronaldo e Can.

Durante anos os nomes inventados pela Konami para demonstrar os clubes do qual não dispunham licenciamento eram uma das minhas diversões anuais favoritas, pela falta de sentido que eles faziam, especialmente com as equipas portugueses. Quem pode esquecer o famoso Bresigne e o Arimelcao?

Ver o FIFA a ter de recorrer ao mesmo estratagema, a inventar um clube que sirva de avatar à Juventus é estranho, mas não destrói aquilo que é o jogo. Que, convenhamos, permanece na sua maioria inalterado desde as duas últimas iterações.

A aparente cristalização que uma série como esta pode incorrer após anos de afinações, muitas delas quase imperceptíveis mas importantes, é bem evidente. Se os modos praticamente todos estão inalterados, salvo algumas diferenças de UI que nos lembram que há mais 69,99€ a separar o jogo do ano passado deste, a adição que para mim justifica o investimento em mais um FIFA é indubitavelmente o modo Volta Football.

Com o modo cinemático/narrativo de The Journey terminado na iteração passada, a EA Sports viu-se obrigada a implementar algo que mantivesse público e crítica investidos em mais um ano falar daquele que é o rei comercial dos jogos de futebol. 

Volta Football, para quem se lembra, é uma reminiscência do velhinho FIFA Street, com diferenças substanciais. A primeira é que os truques de pés e de bola são abandonados em prol de algo mais semelhante ao Futsal, e a segunda é que a implementação de um modo “carreira” com um personagem criado por nós dá-nos uma sensação de progressão tal como o The Journey nos deu.

Apesar de termos feito algumas partidas clássicas, na Liga dos Campeões, ou em jogos de exibição com o meu Sporting (que, diga-se, tem-se portado melhor nas nossas mãos em formato virtual do que no mundo real), o que nos tem ocupado mais tempo tem sido mesmo o modo novo. 

Com uma aproximação mais de quick game, em que a primeira equipa a marcar 4 golos vence a partida, há uma satisfação mais instantânea neste modo que, acredito, seja um bom tira-gostos para quem está a investir no sifão de dinheiro do modo FUT ou mesmo no modo Carreira clássico.

Volta Football é diversão imediata: com partidas dinâmicas, entusiasmantes, com controlos semelhantes ao do seu irmão com 11 jogadores, mas com uma duração mais curta e uma tensão constante, de bolas que vão ao ataque e que se podem rapidamente transformar em contra-ataques.

Este modo, para além do futebol de rua, sem faltas, inclui também um submodo de Futsal, que há muito defendíamos faltar ao FIFA, dado não só ao entusiasmo contagiante do desporto real, como da óbvia procura que a modalidade suscita. Poder pegar na afinação mecânica de FIFA e aplicar em partidas de Futsal é uma das grandes pérolas deste FIFA 20.

Num ano sem grandes novidades sem ser ver o Cristiano Ronaldo com um equipamento preto e rosa de um clube fictício chamado Piemonte Calcio, a inclusão do modo Volta Football é uma lufada de ar fresco, especialmente para casos como o meu e do meu filho que até à véspera do lançamento deste FIFA 20 ainda nos mantínhamos fiéis a FIFA 19. Hoje, o FIFA 20 roda na nossa consola quase exclusivamente em modo Volta e com todo o mérito: não é FIFA Street, mas tem tantos bons argumentos para nos mergulhar na sua acção rápida que qualquer um de nós se sente mais satisfeito com uma partida de 5 minutos com meia dúzia de pessoas a jogarem à bola num campo desenhado a giz no asfalto, do que numa partida no Santiago Barnabéu virtual. Mesmo para quem há muito se fartou de jogos de futebol, Volta Football justifica o mergulho em FIFA, naquele que é assim o melhor “pacote” de experiência futebolística dos videojogos dos dias de hoje.