Se procurarem a palavra “Limbo” em qualquer motor de busca de um site de videojogos provavelmente vão ter um número de correspondências maior do que se procurarem “Mario”, “Zelda” ou “Battle Royale”. Limbo foi sem dúvida um marco nos jogos de plataforma de estúdios indie, que trouxe uma enxurrada de jogos que vão de “inspirado por” a “cópia descarada”. É  por isso que quando olhamos para Stela feito pela SkyBox Labs podemos pensar que também é um clone de Limbo, mas não é. É mais que isso. 

Talvez a primeira impressão que se pode tirar de Stela é o quão bonito é. Beleza é um conceito subjectivo mas é inegável que o jogo é esteticamente agradável, mas ao jogar vemos que beleza vai para além do visual, tudo é equilibrado para a resolução de plataformas, especialmente quando começamos a ver que muitos objectos que parecem ser apenas cenário à primeira vista são cruciais para o nosso avanço na história. História essa que é contada sem palavras, mas também não precisa.

O mundo de Stela está a acabar, sabemos isso porque vemos que está no final e porque estamos constantemente a morrer quando passamos muito tempo a tentar passar uma plataforma e ela é destruída debaixo dos nossos pés, ou uma ameaça aparece de repente. Há um sentido de urgência que nos é incutido nos primeiros minutos de Stela, não sabemos de onde vem a ameaça, se há uma sequer, mas de um momento para o outro há a hipótese de algo estragar os nossos cálculos de como chegar à parte seguinte.

Isso torna o jogo tenso, mas também divertido e desafiante. Obriga-nos a estar sempre a correr, sempre em alerta, sem ser frustrante. É dinâmico e ao mesmo tempo calmante nos seus momentos de pausa para respirar, como se estivéssemos num filme de terror. Sabemos que o nosso fim pode estar próximo, o descanso não é eterno, não é para abusar de um momento para outro pode ser interrompido. Além disso há mais níveis para correr e enigmas para resolver, até monstros para derrotar.

Talvez a minha parte favorita de Stela seja essa urgência, resolver um puzzle num jogo de plataformas pode ser complicado quando temos todo o tempo do mundo para calcular os nossos movimentos, Stela tira-nos esse conforto e nisso mostra a sua diferença, mas é acima de tudo o facto de ser um jogo complicado de explicar as suas diferenças, é uma experiência que deve ser sentida e não lida. Reduzir Stela a um “clone” de Limbo é tão redutor como dizer que qualquer jogo de plataformas é um clone de Super Mario Bros. Todos têm semelhanças, existem pontos comuns que nos permitem classificá-los num género, o de plataformas mas é nas suas diferenças que eles se destacam e Stela, felizmente, tem suficientes para se destacar do pelotão.

Stela pode ser jogado em Xbox One e PC através da Microsoft Store, e é muito recomendável para fãs de plataformas que querem algo um pouco diferente.