
É inegável que o nome Codemasters está agarrado a jogos de carros, especialmente com os lançamentos das séries TOCA em 1997 e Colin McRae Rally em 1998 que vieram dar-nos os actuais Dirt Rally 2.0 e GRID que é o foco deste artigo. O meu gosto por jogos de carros é conhecido, mas tal como em tantas coisas não podemos olhar para o campo genérico de “jogos de carros” ou “jogos de corridas” porque há tantas vertentes e variantes que nem todos os estilos agradam a todos os jogadores.
Alguns jogadores preferem a simulação minuciosa de um F1 ou Asseto Corsa, outros como eu preferem o feeling arcade misturado com RPG de um Forza Horizon e outros o da simulação ilusório de um GT ou Forza Motorsport. Há outros sub-géneros que vão do arcade puro à simulação quase real para agradar a cada um dos fãs mas poucos poderão agradar um público generalista tanto como este GRID.
GRID, testado na Xbox One, situa-se entre Forza Motorsport e Forza Horizon. Tem um aspecto de corridas de pista (e não só) ultra realista e sério, mas a maneira como nos manobramos dentro e fora do carro dão-nos uma sensação mais simplificada, mais arcade. Essa é um dos pontos cruciais que mais divide os fãs de corridas, o tipo de jogabilidade ser mais simulador ou arcade. Nos outros pontos os jogadores estão em consenso, Pistas, Sensação de velocidade, Carros e inteligência artificial. Nestes pontos, GRID consegue estar acima da média, se não a um nível superior em todos.

GRID tem poucas pistas. Mas isso não é propriamente negativo porque com as variações de piso seco e chuva, noite e dia, conseguimos ter jogabilidades completamente diferentes na mesma pista transformando-a em algo diferente. As “poucas” pistas poderiam ser um ponto negativo mas não são porque estão muito bem feitas, mesmo muito bem feitas. São emocionantes do início ao fim, puxam por nós, fazem-nos sentir cada curva e cada recta especialmente dentro do carro. A velocidade é alucinante. Como prefiro jogos arcade tenho o hábito de conduzir com a câmara atrás do carro, só que mudando para trás do volante, é como se de repente tudo ganhasse uma velocidade adicional. Conduzindo fora achamos que estamos a ir depressa, dentro do carro sentimos que vamos depressa.
Os carros disponíveis também não são muitos mas é perfeitamente compreensível. E tal como acontece com as pistas é preferível ter estes cerca de 50 modelos bem reproduzidos com sensações de condução completamente diferentes a ter mais de 100 sem diferenças de condução. Aqui a diferença de um Mini para um Ferrari é tão assombrosa como na realidade. O número de veículos reduzido é explicado também pelo facto que muitos campeonatos utilizam apenas veículos de um modelo e marca específica, cortando assim a necessidade de mais modelos.

É possível fazer alguns ajustes para adequar o carro às condições da pista e pouco mais, como mandam as regras de um jogo arcade. Aliado aos carros temos uma Inteligência artificial estranhamente acima da média. Nas dificuldades superiores obrigam-nos a suar para ganhar, especialmente por ter um modelo Nemesis, ou seja quando batemos num piloto com alguma violência podemos activar o modo em que ele a partir daí vai tentar tudo para se vingar de nós. Um pouco como Tom Cruise e Cary Elwes em Days of Thunder.

GRID tem bastante para oferecer especialmente ao jogador que não tem um gosto específico. Um pouco como em gelados, há quem gosta mais de pistácio e há quem prefira frutos silvestres ou caramelo salgado. Também há quem goste apenas de gelado e optam pelos sortidos com vários sabores como Baunilha, Morango e Chocolate. GRID é um sortido, não tem nada específico para agradar um tipo particular de fãs, mas é bom o suficiente para agradar a qualquer um.













