Finalmente vi as duas temporadas de Castlevania da Netflix e apesar de concordar com o Matthieu acerca da primeira temporada não ser muito Castlevania mesmo tendo a série como base, gostei bastante da segunda. Não sou grande fã das intrigas políticas com o Vampiro Viking, a Carmilla e os Forge Masters mas o foco em Vlad Dracula Tepes, Alucard, Trevor Belmont e Sypha Belnades fazem-me ignorar os pontos negativos. Até Carmilla que tenta ser uma espécie de Cercei Lannister do mundo vampiro é suportável quando olho para o que os outros me deram, incluindo as infantilidades entre Trevor e Alucard. Parvas mas necessárias para a série não ser violenta demais. Além disso as cenas de luta* estão muito bem coreografadas superando as da minha série favorita da Rooster Teeth nos seus melhores dias. Daí, que decidi fazer um pequeno Ia-me Esquecendo aliado a um Rapaz-Ventoinha sobre um dos meus Castlevania favoritos e a sua sequela. Aria of Sorrow para GBA que é brilhante e Dawn of Sorrow para a DS que não é tão bom mas é uma curiosidade interessante.

Vale a pena fazer um pequeno apanhado sobre a história de uma das maiores franquias dos videojogos que consegue ter um estilo inteiro com o seu nome em portmanteau com outro seu contemporâneo na NES? Para o caso de ninguém saber porque vieram aqui parar por acaso enquanto procuravam coisas dúbias na internet e nunca ouviram falar de jogos de vídeo, Castlevania é uma série de jogos iniciada em 1986 e conta com mais de 30 jogos contando com remakes e spin-offs. Na saga, o castelo de Drácula aparece e os Belmont seja qual for o que está vivo nessa altura entra no castelo de chicote na mão e tenta derrotar o vampiro mor e todos os seus seguidores enquanto tentamos viajar pela labiríntica moradia ganhando habilidades que vão abrindo novas secções. Cronologicamente vão de 1094 até 2036.

Symphony of the Night é considerado o mais icónico dos Castlevania, mas talvez por não ter tido uma PlayStation e só ter jogado Symphony muito mais tarde, as evoluções do jogo foram-me transportadas para Aria of Sorrow no Game Boy Advance e para o seu protagonista Soma Cruz. 

A aventura de Soma é curiosa particularmente por duas coisas para mim. O seu ambiente ser mais ou menos contemporâneo tudo continua medieval, especialmente as armas que são todas de lâmina. Além disso o adição da capacidade especial em que absorvemos as almas das criaturas que derrotamos e podemos usá-las como armas secundárias tendo em conta as suas particularidades únicas. Mas o que melhor me lembro de Aria of Sorrow, a minha parte favorita foi sem dúvida o castelo. Há coisas que nos marcam em alguns jogos, personagens, cenas ou momentos específicos e noutros são coisas inesperadas como o cenário ou o mapa. O Castelo de Drácula em todos os Castlevania acaba por ser um personagem, não fala e é estranho dizer isto sobre um edifício, mas ele age connosco e contra nós. A sua estrutura, os seus caminhos contam uma história são tão parte do enredo como os diálogos e as lutas e neste jogo, a história está brilhantemente desenhada e engloba a óptima narrativa que não vou estragar com spoilers.

Aria foi seguido por Dawn of Sorrow na DS que se passa um ano depois e acrescenta uma pequena mecânica que é a de desenharmos um selo no touchscreen para derrotar o boss final. Um pormenor, mas é um pormenor que aproveita como deve ser as capacidades da consola portátil com o melhor catálogo da Nintendo. O resto do jogo não está ao nível de Aria, mas é bastante bom, sendo a sua maior curiosidade o facto de ser uma sequela directa com o mesmo protagonista, algo que é raro nesta série. De qualquer modo, Castlevania são daqueles jogos que especialmente quando vamos para os clássicos 2D é difícil encontrar um que seja “mau” e é ainda mais difícil encontrar um que seja “o melhor”, estes dois são bons, Aria of Sorrow está indubitavelmente no top 3.

Fechando em loop voltamos para a série que não deve ver uma nova temporada tão cedo já que a equipa de animação está a trabalhar com Kevin Smith no remake animado de Masters of the Universe. Num fait divers relatado pelo próprio Smith e a equipa de animação na primeira reunião os animadores disseram aos argumentistas “vocês escrevam os guiões, diálogos e tudo o resto. Só não se preocupem com as lutas, quando quiserem uma, escrevam só “fightey-fightey” e quem ganha que nós tratamos do resto.” Se já viram as duas temporadas de Castlevania, em particular o penúltimo episódio percebem a razão pela qual Smith ficou extremamente aliviado quando lhe propuseram isso. A série nova de He-Man pode ficar péssima, mas vai valer a pena só pelas cenas de acção.