Luigi’s Mansion foi a jóia da coroa da GameCube e a prova de que a Nintendo era capaz de lançar uma aventura da série Mario sem o famoso canalizador como protagonista. Neste caso o seu irmão, conhecido por ser bem mais medroso, o que assentaria bem na aventura tenebrosa e repleta de fantasmas que marcou esse clássico. Depois de uma passagem pela 3DS, o terceiro jogo chega à Switch bem a tempo do Halloween e é um verdadeiro cartoon daqueles que davam aos sábados de manhã. Sim Scooby Doo, estou a olhar para ti.

O novo título mantém toda a essência da série, e a mesma premissa de encontrar e caçar os fantasmas, explorando um gigantesco hotel assombrado. E os valores de produção e polimento são tudo aquilo que esperaríamos de mais um grande jogo da Nintendo, inventivo e cheio de classe, e ainda assim muito familiar para quem jogou os anteriores títulos da série. Mesmo que o jogo tenha sido produzido pela Next Level Games, o estúdio que fez o capítulo anterior da série, Dark Moon, na 3DS.

E mesmo que não seja propriamente um jogo assustador, tendo em conta a temática, existem muitos jump scares ligeiros, sejam fantasmas a saltar de onde menos esperamos, como pequenos ratos e aranhas que também fazem a festa. E para isso contribui e muito a sonoplastia, sejam os efeitos sonoros, como a própria banda sonora, em muitos locais completamente alinhados com as ações de Luigi e o que se está a passar no ecrã. Mais uma vez, tal como os desenhos animados! O ranger da madeira ou a abrir uma porta, o gotejar da canalização, uma moldura que se espatifa misteriosamente no chão, o vento, ou mesmo vozes que parecem vir de uma sala aparentemente vazia, contribuem para Luigi tremer de pavor.

A aventura arranca quando Mario, Peach, os Toads e Luigi, juntamente com a sua mascote Polterpup aceitam um misterioso convite para passar as férias no hotel Last Resort, para rapidamente todo o grupo desaparecer, sendo transformados em quadros, aprisionados pelo King Boo. O vilão foi libertado pela dona fantasmagórica do hotel, Hellen Gravely e cabe a Luigi, claro, salvar os seus amigos.

Mas a tarefa não será fácil, pois o hotel é muito alto e para aceder aos diferentes andares é necessário utilizar o elevador. Mas há um problema, os fantasmas roubaram os botões dos 17 pisos e procurá-los é uma das principais tarefas de Luigi. O jogo apresenta-se como uma aventura aberta à exploração, invés de um sistema de missões como os títulos anteriores. Embora seja linear em termos de progresso, andar a andar, é possível revisitar todos eles quando encontram o botão do piso, seja para explorar algum quarto que tenha ficado para trás ou encontrar todos os segredos e os itens colecionáveis.

Cada andar oferece uma temática distinta, com os seus fantasmas condizentes, bosses e puzzles únicos. E isso torna a aventura dinâmica e variada, e com uma longevidade muito interessante. Seja um jardim botânico, com plantas perigosas e um jardineiro fantasma que nos quer caçar. Ou um estúdio de Hollywood cujo fantasma do realizador quer fazer um último filme, ou cenários medievais, assim como um concerto musical, cujo boss final é um pianista completamente obcecado pelo seu piano.

De regresso está também o Professor E. Gadd, o cientista chanfrado que fornece os gadgets a Luigi para lidar com os fantasmas, como é o caso do Poltergust G-00, que é um aspirador para sugar os fantasmas e expelir ar. Oferece ainda o Virtua Boo para comunicar e aceder ao mapa, uma lanterna para ofuscar os fantasmas e ainda o Gooigi, uma réplica do protagonista feita de gosma que ajuda Luigi nos puzzles, e que também pode ser controlado por um segundo jogador, em formato cooperativo. O Gooigi tem particularidades especiais, tais como passar por grades e grelhas e aceder a locais onde o Luigi não pode, assim como evitar algumas armadilhas.

É realmente muito interessante como os puzzles continuam a ser atrativos e refrescantes, recorrendo aos diversos gadgets de Luigi para os resolver. O jogo apresenta uma física muito apurada, onde praticamente todos os objetos do cenário reagem ao caos gerado pela personagem e o seu aspirador, sendo sugados ou destruídos. Há diversas engrenagens no cenário para ativar, utilizando o aspirador para mover as rodas dentadas, em outras é necessário puxar cordéis, algumas delas requerem a cooperação com o seu clone para executar as ações conjuntas.

Cada piso do hotel funciona de forma isolada, ou seja, a resolução dos puzzles está contida no mesmo cenário, o que evita a personagem de saltitar de um lado para o outro à procura de uma solução. Através do mapa é facilmente visível observar uma área que não foi visitada, onde pode ter a chave de uma porta fechada, por exemplo, mas tudo no mesmo andar.

Já apanhar os fantasmas é semelhante aos jogos anteriores: acender a lanterna nos seus olhos para ofuscar, sugá-los com o aspirador, e bater com eles contra o chão ou outros fantasmas. Luigi tem ainda um desentupidor de canos que se cola às superfícies e pode ser puxado. Há mini-bosses e bosses muito interessantes para defrontar, cada um com dinâmicas distintas, com diversas variações de comportamento, requerendo táticas e abordagens diferentes durante o combate. São bosses old school, desafiantes, como não se vê há muito tempo.

E mesmo os pequenos fantasmas conseguem ser inventivos, muitas vezes abordando-nos de óculos escuros, os quais temos de arrancar antes do flash da lanterna, e outras mecânicas para se tentarem escapar aos nossos gadgets.

Apesar de sólido e refinado, nem sempre funciona muito bem o sistema de apontar a lanterna e o aspirador, com o segundo analógico. Invés de apontar diretamente, este faz a personagem rodar para o lado que se quer, perdendo-se assim muitas vezes a noção da direção durante os combates. Deveria funcionar como os habituais twin stick shooters.

Luigi tem ainda acesso ao laboratório do cientista, onde pode ver todos os fantasmas especiais que capturou, comprar itens na loja com o dinheiro recolhido na aventura, e outras interações.

A campanha é divertida e irá durar umas 12-15 horas para finalizar. Mas o jogo tem mais conteúdos para oferecer. O modo ScreamPark oferece três desafios competitivos, desafiando os jogadores a capturarem mais fantasmas ou moedas, por exemplo, até oito jogadores em formato competitivo por equipas.

Já o modo ScareScrapper contribui para prolongar a longevidade do jogo. Este modo assemelha-se ao que foi oferecido em Dark Moon, colocando até quatro jogadores a limpar as diversas divisões do hotel, sejam 5, 10 ou um número aleatório, com os cenários a serem gerados proceduralmente, por isso são sempre diferentes a cada nova partida. E cada quarto tem um objetivo diferente, seja capturar todos os fantasmas, encontrar os Toads, e outros. É possível jogar este modo a oito jogadores cooperativamente na mesma consola local (com um cartucho para cada dois), ou online, mas precisam de uma subscrição ativa.

Luigi’s Mansion 3 é muito divertido, continua a ser um jogo original, ainda que seja muito familiar em relação aos anteriores, e tem uma longevidade interessante, suportada pela componente multijogador. É no fundo um autêntico cartoon repleto de variedade e muitos fantasmas para caçar. Merece estar na coleção da Switch, sem dúvida.