Mais um ano, mais um LGW, no meio de mudanças de organização, guerras de eventos e medições fálicas, como ficou o auto-intitulado “Maior e Melhor evento de videojogos de Portugal”?

Para algumas marcas isto era a oportunidade fantástica: dois eventos, quase na mesma semana, no mesmo código postal, era só pegar nas coisas e montar do outro lado, ou lutar pela exclusividade e mostrar quem é que manda. Será que foi isto que aconteceu?

Vamos ver. Entrei e dei logo de caras para variar com a Sony PlayStation, uma presença como todos os anos imponente, mas para ser sincero, a faltar um bocado de esforço de edições anteriores, pareceu-me que ainda assim era a maior do evento, mas tinha menos coisas que o ano passado, e com muito menos exclusivos novos de impacto (mas vamos ser sinceros, era difícil competir com um ano de Kingdom Hearts, Spider-Man, God of War e Detroit Become Human). Mas ou me passou ao lado ou nem aqueles gimmicks de rappel tinham, apesar de ainda ter lá visto um ou dois carros da moda.

A minha desilusão do evento, foi claramente a Xbox. Já fiz Lans em casa com melhor aspecto que aquilo. Sei que Portugal não é o mercado mais amistoso desta consola, mas também não é com este grau de esforço que se vai mudar a maré, um tapete verde, um ou dois posters e umas estações de jogo aqui e ali, até a banca dos gelados de rolinho tinha melhor aspecto.

Em termos de não desiludir, tenho que mencionar a Nintendo, que parece apresentar a mesma coisa desde que me lembro de ver os stands deles, adicionando este ano uma espécie de casa assombrada para promover o jogo Luigi’s Mansion 3.

O que me surpreendeu, o conteúdo educativo e as marcas, apesar da falta notória da Worten e dos seus concursos aleatoriamente estranhos, a oferta de stands de marcas pelos pavilhões agradou-me, quer para compra quer para experiência de jogo, penso que não havia muita lacuna, apesar de também não ser nada de WOW MELHOR CENA DE SEMPRE. Tinha um bom stand da Thrustmaster, stands com cadeiras gaming, monitores, comandos, até de componentes, onde tenho que salientar o senhor da PC Diga  que me aconselhou a esperar pela Black Friday, pois a minha lista de desejos era extensa. (Caro chefe desse senhor, por favor não o despeça, ele foi uma jóia de pessoa).

O conteúdo educativo também estava ao nível de outros anos, principalmente com a enchente de escolas e professores que vi lá a perguntar onde é que se podia jogar Fortnite, havia um palco bonito em forma de cúpula, que cheirava um pouco a plástico, e que apesar de até ter tido umas palestras interessantes no programa, nunca me pareceu ter muita afluência. Aqueles costumários stands com robots de combate, programação electrónica, segurança rodoviária, informação sobre carreiras militares e futuros profissionais ou universitários, estavam bastante bem organizados para quem quisesse obter mais informações, mas tenho imensas dúvidas que alguém vá ao Lisboa Games Week para descobrir que o seu futuro é na Marinha (ainda assim penso que trouxeram imenso valor ao evento).

O que aumentou imenso foi a organização e população à volta dos stands de merchandising, sempre cheias e com produtos a sair, parece que por alguma razão as pessoas fazem do seu foco comprar o bilhete para poder comprar mais coisas e depois jogar os jogos que têm em casa, nada contra.

O que também esteve em alto nível foi o cosplay, fiquei espantado com a qualidade de vários participantes no concurso, bem como com os cosplayers convidados. Um dois painéis que consegui parar para ver foi com a equipa nacional de dobragem do meu anime favorito (My Hero Academia), que apesar de eu nunca ter visto em português me proporcionou o meu momento favorito do Lisboa Games Week, ouvir vindo do actor original que fez o vídeo do Freezer repetir a frase “TOMA TOMA FOGUETINHOS“, a partir daí não dava para subir mais.

O palco de esports estava brutal, visualmente acho que é o mais bonito feito cá, com um production value e qualidade nativa de animações e apresentação impecável. Quanto aos torneios, quando passei estavam a haver umas finais que penso serem as de LPLoL e estava cheio de público com uma barulheira descomunal, pelas fotos que vi do dia seguinte, parecia já mais vazio, mas em termos de apresentação não tenho nada a apontar, senti foi claramente a ausência da FPF como stand mais bonito, e da Fepodele, como stand com nome mais feio.

Os board games também são jogos e este ano fiquei mais contente com o espaço deles, sempre que passei lá estavam pessoas a jogar em todas as mesas, numa zona central entre os vários stands que tinham produtos com promoções bastante apetecíveis, mesmo para mim que sou um Tio Patinhas de só comprar no mais barato, falei inclusive com alguns responsáveis de editoras e publicadoras nacionais, o que me deixa feliz com o crescimento deste hobby perante o público em geral.

Não que eu alguma vez tenha pensado no LGW por esse prisma, mas a parte de cinema estava até bastante interessante, com trailers exclusivos e filmes completos a passar num local até engraçado, acho que se formos um pai/avô que tem que esperar que o neto se farte do evento, é um fantástico sítio para estacionar (pontos bónus para os vários personagens de Star Wars que foram passando por lá com fatos extremamente realistas).

Agora outra das minhas alegrias amargas, com a perda do Indie X para o Moche XL Games World, a Loading Zone ficou com as rédeas de mostrar ao público do LGW o que de bom se faz nos jogos nacionais, penso que conseguiu, com algumas das maiores empresas portuguesas a recrutar/mostrar por lá: a Saber, ZPX/Funcom, Marmalade, etc. Existia imenso espaço para a experimentação e troca de contactos e impressões entre visitantes e expositores, adorei especialmente a minha conversa com o pessoal da Doppio, que cria jogos apenas jogáveis por voz, no Google Assistant ou na Alexa da Amazon. Apesar disso, o espaço pareceu-me pecar um pouco pela quantidade, (ainda assim eram cerca de 15 stands entre marcas e developers pelo que me pareceu), mas em termos de material e conforto superou as minhas expectativas.

Quanto ao preço do bilhete, para mim isto foi algo ainda mais positivo, pois em vez dos 12€ do ano passado o bilhete custava 15€, portanto a minha credencial de entrada livre valorizou três euros. Para o público em geral que tem efectivamente que pagar pelo bilhete, penso que não tenha justificado o aumento.

Se foi melhor que anos anteriores? Não creio, mas também não foi muito abaixo do que tem sido apresentado em outras edições. Como visitante do evento, e especialmente com a subida de preço, espero sempre um aumento claro da qualidade e oferta, seja a culpa das marcas por não investirem tanto nos próprios stands, ou da organização por ter mais concorrência, nada disso me reduz as expectativas.