Portal é um dos meus jogos favoritos desde que foi lançado, criando em mim um fascínio pelo game design e level design, que dura até hoje. Sempre que encontro um Puzzler FPS (ou o que lhes quiserem chamar), tendo a pôr na minha lista para eventualmente jogar, e assim o foi com o fantástico The Witness, o espectacular Talos Principle entre outros.

Já tinha então posto os olhos aqui em Turing Test, mas atrasando atrasando acabei por só pegar nele agora, porque me saltou ao olho no Xbox Game Pass. Para quem jogou Talos Principle, a experiência é extremamente semelhante, uma série de níveis progressivamente mais complicados, enquanto nos debatemos aqui e acolá com o típico problema filosófico-existencial.

Mas se em Talos Principle a máquina queria explicar ao ser humano que podia existir, em Turing Test é o ser humano a querer explicar à máquina que ela não existe.

Tomamos o papel de Ava, uma agente espacial que foi enviada para Europa (como devem imaginar pelo facto de ser uma astronauta estou a falar de uma das luas de Jupiter, não do continente), para investigar o que se passa com a tripulação da colónia que lá estava a estudar a zona.

Ava encontra-se com TOM, a inteligência artificial do sítio, que lhe explica que não consegue salvar a tripulação porque existem alguns “testes” pelo meio da estação que apenas um ser humano (e todo o seu super poder chamado imaginação) consegue resolver.

Não vou entrar em mais detalhes, sob o risco de spoilar a história de um jogo com 3 anos, mas confesso que gostei bastante da escrita e do desenrolar da trama em Turing Test, levando-me (tal como Talos Principle) a reflectir sobre a condição humana.

Quanto ao gameplay, o make or break deste tipo de jogos é o level design, e Turing Test passa com nota agradável, nenhum dos níveis me pareceu exageradamente difícil, e consegui safar-me a jogar com o comando na cama, o que mostra (e bem) que o importante neste género de jogos não é destreza ou tempo de reacção, mas olhar em volta, pensar e atingir a solução.

A mecânica principal de Turing Test é uma pistola de alta tecnologia (talvez um franchise concorrente da Aperture Science de Portal), que consegue capturar umas bolinhas de energia coloridas que são usadas para abrir/fechar/activar/desactivar as mais variadas engenhocas.

Desde bolas que estão constantemente a irradiar energia, a bolas que pulsam, ou até bolas com tempo limitado, (ideais para quando queremos que a porta se abra à nossa frente, mas depois se feche atrás de nós) a mecânica é robusta, está bem aproveitada, e não fica velha, derivado das inúmeras adições que cada nível vai trazendo ao longo do jogo.

Uma coisa que gostei imenso, é que nenhum nível é ridiculamente grande, é um puzzle que se apresenta ali, sem grandes rodeios, para o resolveres na hora e não teres que andar para a frente e para trás a abrir e fechar portas, quando já descobriste a solução há 10 minutos. Em Turing Test, mal tenhas o teu momento AHHA! consegues provavelmente acabar o nível em mais um minuto.

Além disso o level design enquadra-se extremamente bem no tema, tudo aquilo foram puzzles desenhados por e para seres humanos, pois ao olhar de relance para parte do mapa, já começava a imaginar o que teria que fazer na outra parte, mesmo antes de sequer lá chegar, portanto dou um pontinho extra ao slogan do jogo : “Trust your Instincts“.

Visualmente é um jogo normalzinho, extremamente branco e com cenários iguais do início ao fim, (mas também não dava para ter um grande open-world naquela estação espacial), ainda assim existe o cenário diferente entre cada bloco de níveis, que nos deixa explorar e descobrir mais sobre o que se está a passar em Turing Test.

Quanto à banda sonora, acabei de passar o jogo há cerca de meia hora e já não me lembro dela, portanto tenho a dizer que não é horrível (senão lembrava-me) mas também não é nada de especial (senão lembrava-me), mas em jogos puzzle, tudo o que não seja intrusivo é uma vitória.

Em suma, se já jogaram Portal, Portal 2, The Witness e Talos Principle, Turing Test é provavelmente o melhor jogo do género que têm por jogar (estou-me claramente a esquecer de algum), apesar disso, não traz nada de novo ou revolucionário ao género, mas é bastante sólido em tudo o que apresenta.

Vou agora ler a review anterior do João Machado e esperar que ele não tenha dito tudo ao contrário do que eu disse.