Nos últimos meses têm saído uns quantos rumores e leaks sobre as novas consolas e recentemente a Microsoft mostrou como seria o aspecto da sua nova Xboxseries X”. Não pretendo ser muito técnico porque além de também eu ser um bocado leigo no aspecto das arquitecturas posso ainda confundir a malta ainda mais do que já se encontra.

O que significam então todos estes rumores e sobretudo as especificações?

Todo aqueles jogos de palavras com aspectos técnicos respectivos ao CPU, GPU e RAM entre outras “cosas” fazem parte duma estratégia já muito velha de tentar abrilhantar a coisa para um publico pouco entendido mas que gosta de ouvir que a próxima consola que poderá comprar é mais bombástica que a anterior.

No passado era o “blast processing”, os bits, depois os “brilharetes” passaram para o 3D e os polígonos, tudo muito bonito mas quem não era engenheiro informático ficava a saber superficialmente o que se tratava.

Hoje muita coisa se passou, a arquitectura das consolas é mais comum que os computadores, para o bem ou para o mal isso ajudou as editoras a terem um desenvolvimento de jogos mais focado com custos mais reduzidos, seja no software seja no hardware.

Como costuma ser cíclico há alturas que o salto tecnológico duma geração para a próxima é maior ou mais pequeno, estamos na 8ª geração e em 2020 podemos chegar a 9ª geração.

Devido a muitos factores um deles a crise económica a passagem da 7ª geração para a 8ª teve um salto tecnológico curto, os jogos não eram tecnicamente muito melhores, obviamente que houve melhorias mas no geral foi uma evolução natural e melhoria dos limites da geração anterior, nomeadamente a escassez de memória RAM que limitou muito a 7ª geração.

Mais memória RAM permite maior complexidade dos mundos criados, mais conteúdo e sobretudo mais pormenores. Mais do que a parte gráfica o que foi importante nesta geração actual foi a extensão da anterior que se traduziu na culminação dessas limitações e também na resolução.

Devido a esses factores tanto a Microsoft como a Sony tentaram criar máquinas eficientes e sobretudo menos dispendiosas de fabricar, com isso teve de haver compromissos, e esses foram para um dos chips principais, o CPU que durante alguns anos tiveram críticas pelo fraco salto em poder de processamento que representaram em relação à arquitectura anterior.

Perdeu-se poder bruto mas ganhou-se uma maior flexibilidade e facilitou-se o desenvolvimento de jogos para uma arquitectura comum, a chamada arquitectura x86.

Embora prefira mais o PC para jogar, sou da convicção que as consolas são plataformas diferentes mas que podem e devem coexistir, aliás têm sido sempre as consolas a puxar a evolução técnica do PC e vice versa. Nesta nova era de resoluções altas e mundos abertos, muito grandes e complexos é a arquitectura de PC que está a dominar e nesta nova geração, a nona, iremos ver um salto um pouco maior do que foi o anterior, poderá não ser aquele salto gigantesco que vimos entre as consolas 16 bits para as de 32 bits que provavelmente não iremos ter, mas poderá ser um salto tecnológico ao nível do que vimos da era 32 bits para a era 128 bits, dos gráficos de PlayStation e Sega Saturn para os de Dreamcast e PlayStation 2.

Esse salto que se poderá verificar será sobretudo assente nesta nova arquitectura de CPUs também eles x86 mas ao nível dos PCs de gama média, quando na 8ª geração os CPUs da Xbox One e PlayStation 4 se baseavam em hardware de baixo consumo indicados para dispositivos móveis, estes novos baseados na arquitectura Zen+ da AMD vão estar a par dos desktops PC de Média-Alta Gama, a nível gráfico iremos ter um salto natural com efeitos novos, iluminação em tempo real por exemplo, mas tudo será sustentado numa arquitectura mais capaz de carregar todo o sistema para processar mundos mais exigentes.

Fala-se também dos SSDs, creio que não passa de puro marketing neste aspecto, já era possível instalar discos SSD nas consolas da 7ª e 8ª geração mas o seu preço era proibitivo, no futuro notar-se-á uma melhoria de desempenho e experiência final no utilizador pois os jogos vão carregar mais depressa, mas isso é a evolução natural quando as empresas ouvem as queixas dos seus clientes.

Também não é menos verdade que a inclusão de discos rígidos “solid state” esteja equacionado no ecossistema das novas consolas: a melhoria será positiva mas não será aquela revolução que querem transparecer, quem tem um PC de gama alta e até mesmo média saberá disso.

Resumindo, o importante que quem está atento e expectante nesta nova geração que está próxima, é que o mais importante é o suporte que as editoras irão dar à consola, sobretudo os exclusivos que continuam a ser o principal motivo para a decisão de compra duma consola!