Na Internet (essa entidade estranha que ganhou uma identidade personalizada própria como se fosse algo auto suficiente e não tivesse um ou mais humanos por trás de todas as acções que lá correm) existem várias teorias interessantes. Estas podem ser no mundo real como a crença que a Avril Lavigne ter morrido e ter sido substituída por uma sósia ou a existência de seres reptilianos que comandam o destino do mundo disfarçados de humanos, mas também podem passar pela ficção como Neville Longbottom ser o verdadeiro profetizado dos livros do Harry Potter e que Harry é um “decoy” criado por Dumbledore para afastar as atenções de Neville, ou que o nome James Bond é na realidade um título assumido com o código 007 sempre que um agente morre, ou as várias ideias sobre o que está dentro da mala de Pulp Fiction, contudo a minha favorita, descobri recentemente e é muito própria à época que agora finda.

Há uma teoria que o personagem interpretado por Macaulay Culkin nos filmes Home Alone, é também o Jigsaw dos filmes Saw sendo essa a subida natural das suas tendências para a tortura mostrada nos filmes tão tradicionais de Natal*. Roombo – First Blood**  é uma espécie de combinação desses dois filmes, mas com um daqueles robots aspiradores iguais aos que o Ricardo comprou e foi muito falado nos últimos episódios do Split-Chicken.

A premissa de Roombo – First Blood é simples, e até se pode tornar um pouco repetitiva ao fim de uns tempos mas para jogos rápidos é excelente. Nós somos um Roombo, um daqueles aspiradores automáticos, que numa noite de Natal vê a família da sua casa sair, e a certa altura assaltantes entram em casa. Ora um Roombo normal deixar-se-ia ficar na sua dock, mas nós não. Qual um Kevin Mcallister redondo e de plástico temos todo um arsenal de aparelhos e objectos em casa para criar armadilhas que impedem os meliantes de levar os objectos valiosos da nossa família. Como toda a casa é uma “smarthome” podemos fazer hacking a várias coisas para nosso proveito como ligar os aspersores para criar uma poça que faça alguém escorregar, ou rebentar uma tomada ou candeeiro para o electrocutar, mas para mim nada bate fazer uma ventoinha cair na cabeça dos criminosos e com sorte cortar-lhes uns membros ou mesmo aos bocados…

Pois, esqueci dessa parte… Roombo – First Blood é violento. É muito violento. Com o avançar do jogo e o acrescentar de invasores a cada nível há cada vez mais sangue e corpos para limpar, e enquanto a primeira vez que sentimos a Switch vibrar com a pequena máquina a “comer” bocados de pernas e braços para limpar as provas antes da família chegar, quando são 4 ou 5 é quase perturbador. Mas não deixa de ser cómico.

Se pecar por algo, como já havia dito antes, Roombo – First Blood pode ser um pouco repetitivo porque o cenário é sempre o mesmo, estamos sempre na mesma casa chegando ao último nível em cerca de duas horas. Contudo o grau de dificuldade aumentado a cada nível é desafiante especialmente quando aliado à nossa imaginação para tentar fazer maldades novas com as mesmas coisas. Porque tal como Crowley diz em Good OmensNão há nada que se consiga fazer no Inferno que os humanos não façam pior, especialmente porque os humanos têm imaginação. E electricidade.Roombo – First Blood, é curto, mas também é divertido, e não é caro. Está disponível em Steam e para a Nintedo Switch.

*nota de curiosidade: durante o dia de Natal o canal de TV canadiano CBS mostrou Home Alone 2 mas, aparentemente por razões políticas, retirou a cena em que Donald Trump fez um pequeno cameo. Não é importante para o artigo mas não deixa de ser engraçado.

**nota de curiosidade dois: Podem não acreditar mas demorei quase uma semana a fazer a ligação de Roombo – First Blood, com First Blood, o primeiro filme do Rambo