Odeio pleonasmos. Pode-vos parecer que incorri numa dessas repetições redudantes no título, mas dêem uma hipótese a este artigo. Que é coisa que este jogo não vos vai dar.

Danger Gazers é uma empreitada jogada no plano virtual e no plano real. Do lado virtual escolhemos um personagem, embarcamos numa caravana e passamos níveis curtos aos tiros a monstros e seres humanos. Do lado real, o estúdio indie ShotX disponibilizou um torrent oficial para que qualquer pessoa descarregasse o jogo gratuitamente: masoquismo em jogo, pois preparem-se para morrer várias vezes, mas sempre no transparente conforto de que o seu criador também dá o peito às balas na realidade.

Phiu, phiu, phiu!

Não vou gastar bits a discutir os méritos e deméritos de tal decisão mas aplaudo a ousadia. A ShotX não foi a primeira a fazê-lo – essencialmente como manobra promocional – e gerou algum falatório, embora a esperança seja sempre de que esta notoriedade se traduza em mais vendas do jogo.

No que toca a Danger Gazers no plano jogável, a experiência cumpre os requisitos de um roguelite moderno ao gerar mapas, armas e inimigos aleatoriamente sempre que recomeçamos a nossa aventura pós-apocalíptica, de forma a mitigar a sensação de repetição e frustração que tantas vezes senti à medida que progredia – com dificuldade, admito – por este mundo.

O design dos níveis brilha verdadeiramente num simples rendilhado em que ao fim de cada nível temos de escolher para que nódulo viajar a seguir. Podem ser mais inimigos ou monstros mais fortes ou apenas uma loja ou evento especial de forma a tentar adquirir items que aumentam a nossa vitalidade, munições ou capacidade de causar danos aos adversários. Cada mapa leva entre 1 a 5 minutos a completar, o que também mitiga a inevitável repetição que ocorre cada vez que se morre. E caramba, morre-se tanta vez. Menos mal que recomeçar o jogo inteiro depois de já ter debloqueado alguns itens faz com que os primeiros minutos tragam desde logo armas melhores para nos levar mais rapidamente ao ponto onde falecemos. Pelo caminho pós-apocalíptico que nos é apresentado é possível gravar a nossa progressão – mas livrem-se de morrer, que daí vão ter mesmo que voltar ao início.

“Então chefe, que vai ser hoje?”

Danger Gazers é jogo que oferece um par de boas horas de diversão, pela natureza de gatilho rápido que tem. Não testei o modo cooperativo, mas vejo com bons olhos o seu potencial na face de níveis em que somos rodeados de inimigos com um amigo artilheiro ao nosso lado.

Tenham é muito cuidado com o que acreditam ser a vossa resiliência, pois a morte repetida acaba por quebrar qualquer um. É entusiasmante andar aos tiros, não é tão entusiasmante andar sempre a morrer e constato que ao longo do jogo poucas mecânicas memoráveis nos são apresentadas para mitigar a nossa frustração.

Vão lá ter pesadelos, vá