Há jogos que nos enchem de preconceitos subtis quando nos chegam às mãos. Ao abrir Frog Detective 2: The Case Of The Invisible Wizard (relembrando que tenho por hábito não ver previamente nada sobre os jogos que vou analisar) pensei de imediato que pelas figuras antropomórficas com um estilo infantil que quase conseguiria ver nas (poucas) boas animações que existem no Baby TV.

Não é de todo o caso deste Frog Detective 2 ser um jogo para crianças, mas até podia ser. Mas mesmo que fosse? Há tantos jogos e séries feitos para um público infantil que eu gosto, que o rótulo nem se ajusta. Ora vejam lá a nossa ansiedade geral lá em casa para ver a nova temporada da Ladybug

Uma grande ironia que encontrei ao olhar para a minha lista de Steam foi perceber que já tinha comprado o jogo original, apesar de o nunca ter jogado. Portanto lá mergulhei, tabula rasa, como sempre, em Frog Detective 2.

Um dos pontos mais brilhantes deste jogo, e que percebemos nas primeiras linhas de diálogo, é que tudo é surreal, quase como uma britcom tornada videojogos. Controlamos o titular Frog Detective que é, bem, um sapo detective, e que trabalha com o polícia lagosta chamado Lobster Cop, sob a supervisão do Supervisor. Munidos de uma lupa, lá vamos nós conhecer o restante elenco de criaturas surreais que nos vão contribuir com muitas linhas de diálogo para desvendarmos o caso do Feiticeiro Invisível.

Apesar do seu charme infantil e ao mesmo tempo bizarro, é também a extrema estranheza dos diálogos e da escrita deste jogo que nos fazem ficar agarrados ao longo da sua curta duração. Uma quantidade de outros personagens antropomórficos que regra geral são uns valentes idiotas para o titular detective, em explicações e diatribes sem grande sentido sobre coisas que parecem ter saído da cabeça de uma criança ou de alguém sob efeito de psicotrópicos. O resultado? Um jogo onde queremos beber cada linha de diálogo para explorar toda a bizarria que por ali anda.

O caderno de notas do detective é uma peça fulcral, já que é aí que vamos recebendo informações sobre os restantes suspeitos/testemunhas, e onde descobrimos que favores é que eles necessitam, criando aqui uma cadeia de troca de itens estranha e muitas vezes sem sentido mas que se ajusta na perfeição a quão bizarro este título é.

Frog Detective 2: The Case Of The Invisible Wizard é um jogo muito curto que nos deixa com vontade que fosse mais longo, e nos desse mais linhas de diálogos insanas e sem sentido, mas coesas com todo o resto do mundo. Um pedaço de loucura salutar que nos deixa a ansiar que mais jogos tivessem o arrojo de sair da estrada de ladrilhos amarelos para verem a Lucy, no céu, com diamantes.