“Hello, my name is Karen, you stole my cat, prepare to die.”

Podia ser assim que Super Crush KO, o novo jogo do estúdio Vertex Pop se pudesse em toda a sua colorida apresentação, mas acabou por seguir um caminho próximo. Ao estilo de vinhetas que se vão revelando numa prancha que é o nosso ecrã, a narrativa subjacente a Super Crush KO é-nos contada em formato de Banda-Desenhada, com uma história over-the-top onde uma vilã intergalática irrompe pela parede do quarto da nossa protagonista apenas para lhe roubar o gato, o que obriga Karen a ir, de punhos e bagagens pelos níveis acima a esmurrar e pontapear quem se interpuser entre ela e o seu melhor amigo.

A paleta de cor de Super Crush KO lembra-nos o tom de séries de animação contemporâneas como Steven Universe, talvez menos vibrante que esta, mas igualmente com uma demonstração soft de acção e pancadaria.

Neste brawler em tons pastel vamos controlando Karen num sistema de side scrolling onde a dificuldade não reside em conseguir derrotar os inimigos, que são relativamente simples de ser eliminados. Mas a tónica do jogo é o de tentar ter sempre nota S em cada secção de nível (e no cumulativo, S no nível), o que nos vai obrigar a manter combos activos o mais longos possíveis (sempre que desferimos golpes a nossa nota vai “decaindo” até acertarmos outro) e de nos desviarmos dos golpes dos inimigos.

De arma em punho, podemos ir alternando entre murros e saraivadas de tiros, especialmente a inimigos voadores, com um sistema de munição que funciona por cooldown e não por limite quantitativo. 

Há golpes especiais, que alternam com a direcção que os fazemos, e que gastam uma barra que podemos ir enchendo com cristais, e há ainda um golpe especialíssimo (que é uma rajada de laser pelo ecrã todo ) que demora muito a recarregar. O manancial de ataques é diversificado e temos de nos ir adaptando a cada segundo.

O combate é frenético já que a pressão de mantermos a nossa nota o mais alta possível está constantemente a pairar-nos na cabeça (neste caso, no ecrã). Mas infelizmente a repetitividade que o jogo chega acaba por manchar um pouco da experiência que temos com ele. 

Os inimigos vão ficando mais numerosos e com ataques mais complexos, as armadilhas vão sendo mais difíceis de desviar no meio da acção, mas com cenários que se repetem ao longo de vários sub-níveis e um loop de acção que está preso à tensão de manter a nossa alta constantemente, Super Crush KO não é um jogo no qual aconselhe sessões longas, mas sim algo para fazer 1 ou 2 sub-níveis (que demorarão 5 minutos cada um a resolver) sob pena de de se tornar demasiado repetitivo.

Ainda assim é a sua história em formato de BD, com um espírito meio tresloucado, que encaixa na perfeição com a presença heróica de Karen, que tudo enfrenta para recuperar o seu gato. E achavam vocês que o John Wick é que era badass