É possível que seja o alinhamento dos astros em ano bissexto, mas este mês de Fevereiro não vai apenas ter um dia extra, mas tem também uma especial dedicatória de jogos perfeitamente bizarros a chegarem-nos em catadupa. Parece até que estes jogos combinaram uns com os outros para se agruparem num comboio que podia ter o Jorge Martinez como maquinista e a Maria Leal como locomotiva.

Já pensaram na complexidade mecânica dos nossos músculos da boca e língua para nos permitirem articular um discurso? Temos a nossa fala tanto como um dado adquirido que dificilmente paramos para pensar em todos os mecanismos que se activam para proferirmos uma simples frase. E de repente ficamos deprimidos, ao pensar que há tanta gente que utiliza essa estrutura biológica complexa apenas para dizer porcaria.

Mas não desesperemos: Speaking Simulator está aqui para nos lembrar da sorte que temos de conseguir falar, colocando-nos no lugar (e na boca) de um andróide que quer dominar o mundo, começando por baixo.

Este andróide está inseguro que consiga “passar por humano”, especialmente por sentir que as interacções sociais são o seu calcanhar de Aquiles. O seu primeiro passo é ir a um encontro romântico e testar a sua capacidade de enganar um humano. Tipo o teste de Turing mas em que o que está a ser avaliado são mandíbulas, lábios e língua.

Mecanicamente Speaking Simulator é mais fácil no papel do que na prática. São-nos apresentadas frases que temos de dizer, e para isso temos de articular todos os mecanismos da nossa cara para os proferir. Controlamos os lábios (entre abrir e fechá-los, e estendê-los), e a língua, em que temos de ir tocando em “botões” ao mesmo tempo que posicionamos a boca com o movimento certo para fonar as letras e sílabas de forma correcta. Com uma barra de suspeição que se vai enchendo à medida que falhamos no nosso discurso.

Temos duas câmaras: uma que nos mostra a boca de frente, e outra o interior. Cada sílaba tem um tempo curto para ser proferida, e não serão poucas as vezes em vamos dar por nós a falhar palavras, e como consequência, a ver a cara do nosso andróide lentamente a desfazer-se a explodir.

Mas os nossos músculos faciais e orais não têm apenas a capacidade de nos fazer falar, há uma série de expressões e reacções que são bem identificativas na nossa cara, com os músculos do rosto a comunicarem o nosso estado de espírito.

O andróide de Speaking Simulator não o sabe fazer naturalmente, mas quer aprender. E missão após missão vão-nos sendo introduzidas mais mecânicas e mais músculos para controlar, já que não basta falar: há que ser verossímil enquanto humano, o que passa até por saber quando desviar o olhar de alguém quando se está a falar (coisa que efectivamente muitos humanos reais não sabem).

Speaking Simulator é mais um jogo de comédia na senda de tantos outros Simulators como QWOP, com missões progressivamente mais difíceis e que nos fazem, ao final de alguns minutos, darmos graças por conseguirmos falar sem ter de pensar em fazê-lo.