
Metroidvanias. Com esta palavra apenas já alienei um punhado da dúzia de pessoas que lêem sobre indies. É verdade que de um género que tinha quase em exclusivo o Metroid e o Castlevania como representantes, os dias de hoje mostram uma enxurrada de jogos, uns piores e outros melhores, a sentirem essa inspiração e a quererem fazer algo de interessante com ela. Nem todos conseguem.
Não sendo original nas mecânicas e obstáculos de metroidvania que nos impõe, onde KUNAI se torna inesquecível é na sua direcção artística. A reduzida paleta deste jogo em pixel art, constituído por azuis, pretos e vermelhos e uns verdes /âmbar muito reduzidos, tornam-no verdadeiramente único.
Este jogo que glorifica as limitações visuais do Game Boy Color, que pega nelas e que as torna um argumento de venda, tem Tabby, uma tablet robotizada como protagonista. Aliás, uma tablet cheia de elementos de ninjutsu, armado com dois kunais que são eles também arpéus, e uma katana para deflectir balas.

Não sei se a ideia de implementar um protagonista-tablet num jogo pós-apocalíptico foi inspirado por algum pai ou mãe que se vêem reféns de birras dos mais pequenos que só conseguem ser aplacadas com estes dispositivos, mas é um sem dúvida uma boa inspiração para tal.
Apesar de Tabby ser o típico protagonista silencioso, as suas expressões vão sendo projectadas no ecrã da sua cara/tablet, criando alguns dos apontamentos de humor a um jogo que quer fazer de um ninja-tablet uma espécie de John Wick pixelizado.

Apesar de KUNAI ter um charme muito próprio com o ar doce do protagonista que anda a destruir um exército de robots malignos num mundo pós-apocalíptico, a experiência de todo o jogo acaba por ser curta.
Com uma grande agilidade de movimento dos personagens e da própria acção – bem diferente dos jogos de Game Boy Color no qual se inspira – a diversidade de inimigos e mesmo o level design são desanimadores.
O facto de ser uma experiência curta acaba por disfarçar este facto. Se os seus criadores tivessem enveredado por alargar artificialmente a viagem de Tabby neste KUNAI, seria ainda mais evidente que as fichas foram quase todas postas no campo da direcção de arte.

Apesar de termos acesso a novas ferramentas, as kunai acabam por ser a base mecânica de todo o jogo. Mesmo o uso da katana é limitado, e não são assim tantas as vezes aquelas em que temos de deflectir balas.
KUNAI merecia uma atenção maior ao seu game e level design, e é evidente que existe muito potencial perdido por aqui. Com tantas boas propostas indie de metroidvanias focados em boas sequências de platforming e acção (como Owlboy e Guacamelee) é-me difícil aconselhar KUNAI a preço inteiro. Um excelente jogo para procurar em bundle ou em promoção, com um charme próprio, mas sem grande argumentos de design para corresponder ao seu grande potencial, e às muitas pessoas que se apaixonaram pelo seu visual e protagonista inspirado.













