
A Level-5 dispensa apresentações e lançou algumas das séries mais respeitadas oriundas de terras nipónicas, incluindo Professor Layton, Inazuna Eleven e Yokai-Watch, todas elas a serem transpostas para séries de televisão, cinema e banda desenhada com muito sucesso. Então porque não conhecemos Snack World? Porque se trata do mais recente universo da produtora e ainda não tinha saído do Japão. O jogo original foi lançado na 3DS em 2017, mas já ganhou duas adaptações a mangas e uma série animada.
Snack World: The Dungeon Crawl GOLD chega agora ao ocidente em adaptação à Switch e apresenta todo o pedigree estético do estúdio japonês: um traço artístico único, personagens divertidas e carismáticas e muito humor na escrita. E como o nome indica, trata-se de um dungeon crawler, ou pelo menos é uma paródia aos jogos do género como Diablo III, por exemplo.
E este mundo combina os elementos tradicionais de fantasia tolkiana com o absurdo da tecnologia atual. As personagens usam telemóveis para comunicar e aceder aos menus, as armas são porta-chaves que crescem quando necessário, há lojas de conveniência para visitar. Mas ao mesmo tempo goza com fábulas e obras populares, desde o capuchinho vermelho que pertence à girl band Spicy Galz, um jovem chamado Peter Pan Cake ou a boys band de génios. E até há uma espécie do temível kraken. Também há castelos, reis e princesas e outras personagens que nos dão quests secundárias.

No reino de Tutti-Frutti governa o rei Papaya e a sua filha, a princesa Molonia. O protagonista chama-se Chup, que é um dos companheiros da personagem controlada e caracterizada pelos jogadores, e é apaixonado pela princesa. Esta aproveita-se e pede-nos as mais mirambolescas tarefas, quests que nunca são rejeitadas.
Juntamente com o jogador seguem outras personagens que vamos descobrindo ao longo da aventura, que servem de companheiros de combate, cada um com o seu leque de habilidades, sejam de ataque como cura, por exemplo. Estes chamam-se Snacks, que no fundo são cartas colecionáveis, e que podem ser utilizados como personagens que caminham na aventura ou em forma de conjuração, com ataques especiais. Aqui entra aquilo que a produtora mais sabe fazer que é incentivar os jogadores a procurar as cartas raras e obter os melhores companheiros, guardados numa espécie de caderneta.
Já a ação é simples e acessível. O jogador tem uma grande coleção de armas, mas terá de escolher aquelas que deseja levar para os combates. É que cada inimigo é resistente ou vulnerável a cada arma, pelo que podem mudar em tempo real durante os combates mediante os oponentes. Uns sofrem mais dano com facas, outros bastões de magia à distância, outros machados, lanças, etc. Mas devem ter atenção que cada arma tem a sua barra de energia, pelo que se spammarem os ataques especiais esta descarrega e necessita ser substituída.
O jogo oferece uma estrutura muito simples. Podem explorar a cidade, procurar personagens para conversar, descobrir novas quests e visitar lojas para comprar armas e acessórios, ou mesmo jogar na lotaria, quem sabe não ganham o primeiro prémio. Duvido, acho que esteja viciado… Mas a aventura não pretende prender ninguém em caminhadas desnecessárias. A partir de um simples menu pode-se escolher uma das quests disponíveis e ser transportado de imediato para a respetiva masmorra. Ou mesmo o fast travel para cada loja. O jogo não promove a exploração, pois não existe muito por onde viajar ao longo dos capítulos. E até podemos optar pela opção de auto-equipar das armas e armaduras que melhor se enquadrem na missão.
E isto porque o jogo torna-se um festival de grind para obter experiência, ouro e itens especiais, repetindo localizações baralhadas aleatoriamente, com diferentes objetivos, prolongando assim a aventura até começar a tornar-se cansativo. Estamos perante uma aventura divertida no geral, com objetivos como matar todas as criaturas de uma masmorra, encontrar itens ou tesouros, assim como personagens. Nem sempre o nível da personagem está preparada para o desafio da masmorra, por isso, nada como repetir em grind. Se morrerem terão de recomeçar a mas masmorra de início, mas mantêm os itens e experiência acumulada.

Depois as masmorras labirínticas têm diferentes tamanhos, e estão repletas de inimigos que fazem respawn de qualquer lado. Se houver distração e morrerem, como disse, começam tudo de novo. Às tantas damos por nós a correr desenfreadamente, ignorando os inimigos, procurando chaves para abrir portas ou cumprir objetivos, tentando evitar algumas armadilhas.
No geral, vamos amealhando quests narrativas, normalmente são as que abrem caminho a novas áreas temáticas do mapa, culminando em poderosos bosses, como uma medusa ou o kraken. Já as quests secundária repescam os cenários e encontros com bosses e inimigos. Dessa forma ganham créditos para adquirir armas mais poderosas, assim como armaduras, e criar as melhores builds para as quests seguintes.
O jogo suporta ação cooperativa com amigos, mas apenas podem entrar ou convidar para as missões secundárias. As de história só podem ser completadas a solo, o que se torna uma estranha limitação.
De um modo geral, em termos de valores de produção, Snack World mantém a qualidade da Level-5, a nível gráfico, escrita e humor. Mas a estrutura do jogo, tipicamente desenhada para uma portátil como a 3DS, revela-se repetitiva e aborrecida a médio-prazo, o que é uma pena.













