Falemos de jogos de plataformas e daqueles jogos que adicionam tantas mecânicas a um dos mais “simples” dos géneros que nos vemos a cruzar dedos sobre dedos, como se estivéssemos a tocar arpeggios numa guitarra eléctrica.

Wunderling quer levar-nos a tempos menos complicados. Aos jogos de plataformas em que tudo o que podemos fazer é saltar. Literalmente. É que o titular personagem (que é, na realidade, um pequeno minion de um jogo de plataformas que ganhou a habilidade de saltar) só consegue andar sempre em frente, e se embater num obstáculo volta para trás. Portanto, como dizíamos, em Wunderling só temos mesmo a capacidade de saltar. Nem o andar controlamos.

Sim, eu sei que Ori and the Will of the Wisps é mais que um platformer, é um metroidvania, mas depois de ter penado com algumas sequências de plataformas que quase me faziam dedilhar o comando da Xbox 360, poder “descer” ao nível de um jogo divertido e desafiante que controlamos tudo com apenas um botão, é… digamos… um descanso.

Este pequeno indie desenvolvido pelo estúdio Retroid Interactive é também uma memória de como é possível adicionar elementos de humor a um jogo mecanicamente tão simples. O humor vai dando umas piscadelas de olhos à cultura pop, e nós, agradecemos por isso.

Não é por ter apenas a capacidade de saltar que Wunderling é menos jogo, ou menos desafiante que tantos outros. A curva de dificuldade em apanhar todos os coleccionáveis é crescente, e não demoramos muito a perceber que a “crueldade” criativa dos seus autores em termos de level design nos vão obrigar a repetir várias vezes cada nível para apanhar aquela singela bolinha amarela posicionada de forma que apenas um salto no timing e posição perfeitos nos permitem apanhá-los.

Outras vezes é a “mera” tarefa de chegar ao portal de final de nível que é uma verdadeira dor-de-cabeças. Mas das boas. Daquelas que depois de ultrapassadas nos dá um “ah! Afinal era isto!” solto pela boca fora.

Com um desafiante level design baseado na nossa capacidade única de saltar, aliados a muitos elementos presentes nos níveis que nos vão permitir ver a complexificação crescente de cada nível, a realidade é que Wunderling nos conquista sobretudo pelo riso. Pela capacidade de nos fazer rir como descompressão de cada level design de “terror”, desde o momento inicial em que controlamos o herói – uma cenoura com laivos de Mario – até ao desenvolvimento da história de coragem do nosso débil, mas corajoso “goomba” amarelo. 

Wunderling é uma obra de carinho pelos platformers, lançada para PC e Switch, e que é um dos melhores jogos simples que jogámos nos últimos tempos.