
O mercado indie tem sido exímio em ressuscitar uma série de géneros que o mercado AAA parece ter deixado esquecido no passado. Os first-person dungeon crawlers são um desses casos, com Legend of Grimrock de 2012 a relembrar-nos o porquê de termos gostado tanto de dungeon crawlers com uma estrutura de movimento e combate baseados em grelhas. O Wizardry de repente passa a ser uma compra nostálgica obrigatória.
No meu caso já o disse aqui: nunca pensei que fosse uma interpretação nipónica a tornar-se para mim o epítome de um género (quase perdido). Etrian Odyssey, com a sua necessidade de nos fazer cartografar à mão as dungeons que é ainda hoje a melhor interpretação dos first person dungeon crawlers. Mesmo não tendo, nem de perto, nem de longe, metade da proeza técnica deste surpreendente indie.
E é essa mesma a primeira surpresa com este Operencia: The Stolen Sun passa mesmo pela definição e detalhe do jogo. Entre o aspecto in-game e as ilustrações estáticas que servem como avatares dos diálogos entre os vários personagens.

As aventuras pelas dungeons estão repletas de puzzles, simples, que conseguem dinamizar a componente de RPG. Por alguma razão foi-me impossível não sentir uma vibe de jogos de aventura na primeira pessoa e a forma como eles lidam com a apresentação e tipo de quebra-cabeças. Só é pena que a simplicidade destes mesmos desafios seja algo superficial, com os restantes personagens da nossa party a atirarem “postas de pescada” que muitas vezes são praticamente a solução. Obrigadinho, caros party-members cheios de spoilers. ninguém vos pediu nada, ‘tsá?
O enredo, não sendo estupidamente complexo, consegue ser acessível o suficiente para que não percamos o fio à meada. A história de Operancia vai avançando nos momentos em que sentamos os nossos personagens à volta da fogueira para recuperar. É nesses breves instantes de calmaria que nos vamos inteirando do mistério do desaparecimento do Sun King Napkiraly e a escuridão que se abateu sobre o mundo. A inclusão de mitologia húngara na história misturada com localizações reais dá um sabor completamente distinto a este jogo.

Por ironia, Operencia: The Stolen Sun deve ter ouvido as minhas preces e inclui um Cartographer Mode que nos obriga a desenhar os mapas à mão, trazendo esse flavour old school que muitos de nós tiveram de desenhar mapas de videojogos em folhas quadriculadas.
O combate, esse, poucas alterações faz à fórmula clássica do género. O posicionamento dos inimigos é feito por planos, entre os mais próximos de nós e os da retaguarda, com os nossos ataques a afectarem apenas alguns deles.

Vindo de um pequeno estúdio húngaro habituado a desenvolver jogos de pinball, Operencia: The Stolen Sun é uma agradável e surpreendente surpresa. A atenção ao detalhe deste jogo é uma verdadeira carta de amor a um género que foi amplamente subvalorizado à medida que os RPGs foram necessitando de uma abordagem com maior acção para alargarem o seu leque de público.













