Caçada Semanal #218

Ups, já falhámos. Logo no título, a fazer lembrar aquelas situações em que os nossos colegas de liceu nos dizia: vamos jogar ao “Não” e nós dizíamos logo “não” e perdíamos o jogo antes até de ele começar.

Mas esta caçada não é de todo sobre aquele assunto que andamos todos a falar o dia todo, mas sim sobre 3 indies que andamos a jogar numa certa situação que nos obriga a ficar em casa, derivado daquele assunto que nós não queremos dizer precisamente qual é.

Artificial Extinction [PC]

Misturar tower defense com outros géneros não é novidade, e até temos casos brilhantes, como Orcs Must Die, que soube de forma exímia misturar um género que já começava a apresentar estagnação, e mostrar o que era possível fazer.

Trazer os FPS para a órbita dos tower defenses, por sua vez, não é novidade em pleno 2020. O que quer dizer que as propostas dentro deste cocktail de géneros não tenham interesse per se. 

Neste jogo recém-lançado no Steam pelo estúdio 100Hr Games tentamos encontrar paz num novo planeta que estamos a tentar colonizar, mas que está afectado por uma IA assassina que não quer de todo a presença de empecilhos orgânicos como nós.

Temos de sobreviver 9 dias até a nossa família se juntar a nós neste novo planeta, e para garantir a sua segurança temos de pacificar esta IA… à lei da bala. Colocamos sentinelas estáticos no terreno e utilizamos as armas na nossa mão para destruirmos as vagas de inimigos mecânicos que vêm para nos defrontar. 

Artificial Extinction não é uma maravilha dos FPS/tower defenses, mas acredito que seja daqueles que um desconto do Steam em cima vai fazer-vos saciar a fome do género. A full price… nem tanto.

Hypergalactic Psychic Table Tennis 3000 [PC]

Não, não cantámos parte da letra da música Breathe dos The Prodigy (isso é “(…) Psychosomatic, addict, insane (…)”). Hypergalactic Psychic Table Tennis 3000 é uma homenagem a Pong. Aliás, vou mais longe. Hypergalactic Psychic Table Tennis 3000 é o Pong se este estivesse sob o efeito de drogas e decidisse que ia embarcar numa fase experimental, a tocar baixo de 5 cordas numa banda de jazz fusão, a dedilhar polirritmos inesperados.

O que começa como o nosso amado clássico de arcada que é 13 anos mais velho que eu, rapidamente evolui para um jogo de batalha com level up, skills, upgrades e afins. Ah, pois é. Pong com level up e skillset. Nunca pensaram nisto pois não? Mas a malta da Blue Wizard Digital pensou.

Estes upgrades vão desde poderes que transformam a bola num cometa incandescente, até a alterações na dimensão da nossa raquete. 

Hypergalactic Psychic Table Tennis 3000 é divertidíssimo e para o seu preço de custo actual (1,59€) é fácil de considerar verdadeiramente obrigatório, especialmente nesta fase em que estamos todos fechados em casa por aquele motivo que todos sabemos.

Femida [PC]

Phoenix Wright quase, quase me impulsionou a perseguir uma ideia que tinha em meados da década passada, que envolvia em ir tirar uma segunda licenciatura – em Direito – após terminar a Faculdade de Belas-Artes. A parte de ter sido graças ao Ace Attorney é mentira, mas eu querer tirar um segundo curso até é verdade. 

Femida não poderia estar mais longe da semi-ligeireza da magnífica série da Capcom. Aqui somos um juiz num país saído de uma revolução que depôs o seu ditador, e que tenta reerguer-se dos escombros políticos e sociais. 

Entre casos vestimos o manto de um investigador, que com meios pouco legais, que incluem escutas telefónicas e interrogações, vai recolhendo informações que nos irão abrir novas opções durante o julgamento.

Como Shu Takumi provou: jogos deste género vivem suportados pela qualidade do seu enredo, coisa que infelizmente falta a este Femida. Com muitos temas sérios que poderiam ser melhor explorados, e algumas mecânicas de investigação e acções penais que poderiam também elas ter tudo outra atenção, depois de alguns casos é fácil perceber que havia espaço para levar este jogo mais longe. Talento? Quem sabe.