
Uma pedra e um sol dão a mão, e atravessam a escuridão, alterando o mundo à sua volta à medida que os seus passos fazem brotar plantas e minerais do solo. Isto poderia ser o início de um livro infantil, e é-o, de uma certa forma. Mas é também a melhor forma de explicar Pode em apenas uma linha.
Puzzle platformers com 2 personagens, cada um com habilidades próprios, e com quase todos os quebra-cabeças a necessitarem da interacção entre ambos é coisa que há muito nos habituámos. E é precisamente o que Pode, um simpático e sereno indie puzzle platformer do estúdio Henchman & Goon nos traz.

Apesar de ser possível jogar sozinho, trocando o controlo dos personagens, ora para um, ora para outro, a realidade é que jogos como Pode brilham na sua luz máxima em cooperação com outro jogador.
Foi exactamente o que eu e o meu filho fizemos durante este fim-de-semana, cada um controlando um dos dois simpáticos personagens (podendo na mesma ir trocando a nosso bel-prazer, apenas com o premir de um botão).
Um dos personagens é uma rocha, que consegue interagir com minerais e consegue pegar em objectos e até engolir o seu companheiro, uma simpática bola de luz que comanda as plantas e cujo calor consegue derreter gelo.

E na união dos poderes de ambos que vamos resolvendo níveis cada vez mais extensos, com sequências maiores de puzzles que necessitam de ser resolvidos na ordem certa.
Apesar da serenidade deste puzzle game, que não só não tem tempo nem inimigos, por vezes a nossa maior adversária é mesmo a perspectiva, em que ficamos sem ter bem ideia da distância que vai entre uma plataforma e outra, levando-nos a cair e muitas vezes a repetir uma sequência de puzzles/saltos para voltar ao mesmo sítio.
A direcção artística, a interligar uma abordagem depurada com um mundo vibrante, que fica progressivamente mais colorido e mais vivo depois da nossa interacção, é suficiente para nos captar a atenção, e manter-nos ligados à jornada dos dois pequenos amigos.

É curioso que num momento estranho das nossas vidas, com uma pandemia a ocupar todo o nosso espaço mental, acabe por ser um pequeno jogo que fala de amizade, entre dois personagens carinhosos, a servir de luz às incertezas do nosso tempo.
É a serenidade do ritmo de Pode que nos transporta para um mundo de esperança. E esperança é muito do que precisamos nos dias de hoje.
https://www.youtube.com/watch?v=P5sZeIGOHus













