Nem de propósito que esta semana, no episódio do Split-Chicken, falávamos dos primórdios das mecânicas de base building. Blaze Revolutions é um jogo cujo tom gira maioritariamente em torno da construção de um campo de “refugiados” e de cultivo de cannabis, num futuro distópico onde grande parte da população está viciada em realidade virtual. E eu, que nunca sequer 

Todo o conteúdo que mantém presa a população norte-americana é fornecida por uma companhia, SOMA, que acabou por assumir o controlo regulamentar do país, tendo as suas divisões de segurança a patrulhar as ruas à procura de todos os revolucionários cujas intenções são a de deporem o novo governo/corporação.

E essa tarefa revolucionária recai sobre os ombros de quem? Veteranos militares? Milícias comunistas? Não. A um grupo de defensores e consumidores de drogas leves.

Apesar de ainda estar em desenvolvimento, tendo chegado a Early Access há poucas semanas, Blaze Revolutions está dividido em duas partes: a componente de base building, e outra de, chamemos-lhe acção furtiva ao volante de um carro.

A primeira parte, para além de ser o grande foco de todo o jogo, é indubitavelmente aquela que melhor se enquadra e que dá o melhor sabor ao jogo (e se quiserem, perfume). Temos de ir libertando algumas pessoas pela cidade, fugindo dos drones, e apaixoná-las pela nossa causa. 

Esta componente de libertação envolve pacifismo, já que para aliciar a população à nossa volta de deixarem de estar viciadas em VR, só temos de organizar festas nos seus prédios e fornecer-lhes algo para fumarem. 

À medida que mais gente vai chegando ao nosso campo, maiores começam a ser as nossas capacidades de produção e a nossa capacidade de ter edifícios e serviços diferentes, desde coffee shops a outras lojas. Como base building game parece-me interessante, e quase que consegue tornar-se o primeiro jogo com a temática de produção e cultivo de erva a conseguir tornar-se interessante. 

Mas há algo na componente de condução pela cidade, a escapar aos drones da SOMA que me parece mais busy work que outra coisa. E faz-nos desviar a nossa atenção da componente de base building e management que é interessante, e cada missão de deambulação pelo mapa resulta num maior rolar de olhos do que em algo que contribua verdadeiramente para o jogo.

Sei bem que Blaze Revolutions ainda está em Early Access, e que muito pode ser mudado até ao lançamento final, e o que vemos agora é algo com um óptimo patamar de qualidade. Consigam os seus autores equilibrar as deambulações furtivas de forma a que elas não sejam uma mera distracção do base building e este pode ser, graças à temática distópica, o eldorado psicotrópico que tantos developers indie têm procurado, em que a temática da cannabis não é apenas uma provocação para chamar a atenção de media e público, mas um elemento bem explorado mecânica e conceptualmente.