
Há um tempo tive o privilégio de fazer parte do júri de final de curso de uma escola profissional na Grande Lisboa, e, para além da minha tremenda surpresa com a qualidade dos jogos ali em avaliação, pude também dar algum input sobre as potencialidades de publishing de alguns deles.
Sem surpresa, existiam algumas propostas de JRPGs em 16 bits, sendo que nem todos foram feitos em RPG Maker. Aproveitei para perguntar aos alunos finalistas qual a editora que nos deverá vir à cabeça, no mercado actual, sempre que falamos de JRPGs retro. Ninguém respondeu. A pergunta não era fácil, mas a resposta certa é Kemco.
Para além de ser uma editora com desenvolvimento interno desde 1984, a Kemco, estúdio e publisher de Hiroshima, deve ser daquelas que continua a fazer negócio – e muito – desenterrando uma paixão alargada pelos JRPGs dos tempos da SNES e até de um período inicial da PS1 que se mantém até hoje.

Já com algumas séries interessantes na algibeira, e normalmente com uma política de lançar primeiro em mobile, em modelo freemium, e posteriormente atacar consolas e PC, a última proposta da Kemco chama-se Miden Tower, e passa-se, adivinhem, numa torre.
A solidez da sua direcção artística retro é a expectável de um jogo da Kemco: com o ambiente bidimensional retro a ser “embelezado” com ilustrações “retiradas” de uma estética anime contemporânea. O efeito de ligeira paralaxe e movimentação pseudo-tridimensional com sprites do combate vem dar também uma diversidade aos confrontos por turnos.
Mas se o combate e a narrativa são normalmente os grandes pontos de avaliação de um JRPG, a verdade é que o enredo de Miden Tower, apesar da boa premissa de ver os únicos magos sobreviventes espalhados pela torre que dá nome ao jogo, pouco consegue fazer para além de nos evocar alguns dos maiores clichés da história dos JRPGs.
O que é uma pena, considerando que o seu sistema de combate tem ligeiras alterações que o tornam interessante, nomeadamente o posicionamento da party em filas, para além do efeito visual do combate em si.

Ah, e o jogo até tem personagens que são paredes de tijolo com olhos. Como é que se falha em tornar mais interessante um jogo que tem como personagens jogáveis paredes com olhos?
Como dizíamos no início, se estão a ver um JRPG retro à venda, a probabilidade de ele ser da Kemco é grande. O que significa que muitas vezes é preciso escavar para encontrar um bom JRPG no seu catálogo, no meio de tanto jogo mediano. Miden Tower não é de todo uma das excepções a essa mediocridade.













