Dêem uma cana de pesca ao Homem e ele vai alimentar-se por um ano. Dêem um business simulation game ou outro jogo de gestão e estratégia ao Ricardo (eu) e ele vai perder a noção do tempo. E se o fizerem até é possível que ele comece a falar na terceira pessoa como o Jardel.

Em Good Company (que chegou o mês passado a Early Access no Steam) vivemos o sonho do entrepreneur de 1970s/1980s, com a ideia de criar um império a partir da garagem. Literalmente.

Apesar da direcção artística low poly, simplificada, aquilo que Good Company nos reserva em termos de tutorial é o equivalente a ser atropelado pelo Alfa Pendular, mas sem a fatalidade inerente. Este jogo centra-se sobretudo numa apologia do fordismo, na criação de linhas de montagem sucessivamente mais complexas, eficazes e optimizadas, e em muitos aspectos sucede em fazê-lo. 

Controlamos o nosso personagem na sua garagem e podemos manualmente ir trabalhando na dita linha fordista, recolhendo as matérias-primas no ciclo de entregas e levando o produto final para ser recolhido. Mas podemos (e vamos, obrigatoriamente) criando sequências de criação em que “programamos” os nossos funcionários para cumprirem determinada tarefa.

E é aqui que cai o busílis do empreendorismo, ou neste caso, a chave inglesa que destrói a correia de distribuição da máquina. Depois de várias horas a criar sistemas cada vez mais complexos, os erros que o sistema nos dá de haver falhas na linha de montagem não são explícitos o suficiente para os corrigirmos de forma eficaz. E não sei porquê. Por diversas vezes recebi erros de que os funcionários não conseguiam cumprir a produção, apagava as linhas de montagem, refazia-as à mão, e ainda assim continuava a receber erros. Não sei se estes erros são decorrentes de bugs nesta build alpha, mas há aqui falhas que eu não consigo solucionar. E nem a valente tareia que é o tutorial me consegue ajudar.

A falta de simplificação do processo de fabrico, comparado, por exemplo, com Rise of Industry, acaba por tornar-se um calcanhar de Aquiles para Good Company

Com uma direcção artística perfeitamente sólida a explorar uma paleta e uma abordagem visual mais “simpática” como tem sido comum em muitos jogos indie recentes, Good Company ainda tem um longo caminho para afinar os seus interfaces e o mindset dos seus processos internos de fabrico. Mas é indiscutível que para o que aqui é apresentado, há um grande potencial para este indie desenvolvido pelo estúdio Chasing Carrots poder vir a ser um standard dos jogos do género.