Caçada Semanal #219

As crises revelam o pior das pessoas, mas também o melhor. Se há algo que temos visto nesta pandemia é que afinal temos todos um rácio altíssimo de especialistas de tudo e mais alguma coisa, gente que estava escondida à plena vista e que são mais capazes de governar e gerir melhor do que os actuais, passados e futuros governantes e gestores. Somos um país de sortudos, com tanta gente de alto calibre.

Os 2 indies desta semana vêm pôr essa qualidade toda à prova, em 3 jogos de estratégia e gestão que vão fazer separar os bons gestores, daqueles que são apenas”garganta” nas redes.

Plebby Quest: The Crusades [PC]

Há uns meses estava a analisar ROMANCE OF THE THREE KINGDOMS XIV e, a dias de escrever a minha análise, a minha cópia de review foi revogada. Até hoje não sei porquê, mas apeteceu-me desabafar aqui um bocadinho. 

Então se a Koei Tecmo não me deixa jogar a este jogo eu não fico preocupado: já ao lado tenho Plebby Quest: The Crusades, que é essencialmente o mesmo, mas possivelmente em melhor. 

A maneira de descrever Plebby Quest: The Crusades, lançado há poucas semanas pelo estúdio PuedPipers Team é simples: imaginem que Europa Universalis ou mesmo Civilization existem tal como os conhecemos mas ao invés da seriedade habitual, temos humor, e no lugar de figuras pseudo-realistas temos rectângulos antropomórficos.

A complexidade mecânica de Plebby Quest: The Crusades está tão apurada quanto os melhores jogos de estratégia, mas é fácil que muitos fãs do género acabem por olhá-lo de lado pelo seu visual cartoonesco. O que é uma verdadeira injustiça, dada a qualidade desde jogo de estratégia.

À semelhança do jogo da Koei, Plebby Quest: The Crusades coloca o foco da gestão do nosso império nos ombros de generais. São eles que têm o ónus de treinar unidades e são também eles quem controlamos, com os seus exércitos acoplados, pelo mapa.

Outra adição interessante é que algumas das mecânicas habituais do género, como a pesquisa, são resolvidas através de mini-jogos, e não apenas de uma acção passiva com um tempo de duração determinado.

Plebby Quest: The Crusades é um brilhante jogo de estratégia que passou por debaixo do radar da maioria dos entusiastas dos jogos de estratégia e 4X, e é, na realidade, uma das suas maiores pérolas desconhecidas.

STATIONflow [PC]

Tenho um amigo de Faculdade – cujo nome não vai ser referenciado, mas que posso indicar que é um dos mais utilizados para homem em Portugal, e que começa por J – é doente pelo metropolitano de Lisboa. Decorava os números das carruagens, estava constantemente a redesenhar sugestões de mapas infográficos da linha, para além de ter fotografias de sinalética do Metro com ele. Não sei se ele nos lê, mas STATIONflow, um jogo de gestão de micro-nicho, é mesmo para ele.

STATIONflow é um jogo indie lançado há semanas pelo estúdio DMM Games e que nos coloca a difícil tarefa de gerir o fluxo de locomoção de passageiros numa estação de metro. O que significa, na prática, optimizar os trajectos e as sinaléticas, e criar corredores e escadarias que impeçam um atabalhoamento de público em hora de ponta, em pleno transbordo de linhas.

Para quem jogou MiniMetro o conceito é semelhante, mas transferido para dentro de uma estação com múltiplas linhas. O famoso indie deve ser uma das inspirações, porque até o minimalismo visual contribui para a proximidade entre ambos.

Mas é esta simplicidade que nos conduz a darmos atenção à complexidade do desafio que temos em mão, e de que forma é que levamos os nossos passageiros pelo mais rápido e o melhor caminho até à sua próxima linha.

STATIONflow não é um jogo de gestão para todos, mas para todos os entusiastas dos metropolitanos é verdadeiramente obrigatório. E sempre podem imaginar que conseguem resolver a verdadeira dor de cabeça que é a transfega de linhas ali na estação do Campo Grande.