
Nos últimos anos tem havido uma tendência para o lançamento de jogos multi-jogador assimétricos, colocando de um lado uma personagem poderosa, contra uma equipa numerosa, mas teoricamente menos equipada. Os caçadores de monstros de Evolve, os jovens estudantes que fugiam de Jason em Friday the 13th, ou mesmo recentemente, as experiências de laboratório da Umbrella na vertente multi-jogador de Resident Evil 3 Remake, são exemplos de uma tendência que por norma é limitada pela oferta de conteúdos.
Predator: Hunting Grounds inspira-se na mesma premissa e como seria de esperar, uma equipa de quatro militares é enviada em missão para uma floresta, esperando por si, claro, o temível Predador. Até porque não coincidência o estúdio IllFonic ser exatamente a responsável por Friday the 13th.

O que talvez se destaque neste jogo é que os militares têm objetivos a cumprir na ilha, em diversos pontos do mapa. Teoricamente, até podem ignorar o predador e executar objetivos como vasculhar acampamentos de guerrilheiros, destruir pontos sensíveis ou assassinar um líder militar. É que invés de uma simples arena de combate entre humanos e o predador, há NPCs que ripostam para ambos os lados que têm mesmo de considerar.
Obviamente que do lado do predador terão de encontrar as suas presas, e quando a partida tem início, este começa de um lado oposto e tem de procurar os soldados. O jogo faz um bom trabalho, não só a baralhar os pontos de início da missão, como a espalhar aleatoriamente os objetivos, impedindo que hajam esperas previsíveis nos locais onde os membros da equipa têm de visitar.
Do lado dos soldados o jogo comporta-se como um habitual FPS, cada membro tem um arsenal composto por metralhadoras, pistolas e granadas, assim como kits médicos para se curar. A experiência ganha nas missões permite obter caixas de loot, com novas armas e skins colecionáveis, que depois de desbloqueadas podem ser adquiridas com moeda do jogo, Valerian, que pode ser também encontrada nos cenários.
Há dezenas de elementos de caracterização não só para os soldados, como o próprio Predador. Mas além dos itens cosmético, há também armas para desbloquear, e no caso do predador, há facas, discos inteligentes e outras armas melee, assim como um arco de flechas. Pode mesmo utilizar uma rede para capturar inimigos mais distraídos.

Já do lado do predador, este joga-se na terceira pessoa e tem um comportamento totalmente diferente. Além de correr mais rápido, este pode trepar árvores e saltar de galho em galho, para além de algumas habilidades de assinatura, tais como ficar invisível ou disparar o famoso canhão de ombro, em que os soldados só têm tempo de ver a luz do laser, até só restarem as suas botas.
Além disso, pode ativar a sua visão térmica e detetar os jogadores pelo calor. Para contrariar essa habilidade, os soldados podem banhar-se na lama, mas devem evitar passar pelos riachos para não perder a camuflagem.
Contas feitas, Predator: Hunting Grounds é um jogo do gato e do rato, e tal como Friday the 13th, a Illfonic conseguiu criar momentos de tensão semelhantes aos filmes. Podemos nem ver o predador com a sua camuflagem, mas os estalinhos que este dá da boca denunciam a sua presença, criando um ambiente frenético entre os jogadores. O modelo do predador está no ponto, mas as personagens militares são altamente genéricas. Já que foi necessário uma licença da 20th Century Studios para a utilização do universo, a produtora poderia ter ido mais longe e adquirido as personagens dos filmes, como Arnold Schwarzenegger, por exemplo.
Mas atenção que se os soldados conseguirem atingir o predador, este pode fugir para se curar, respondendo a uma série de botões, mas deixa o já conhecido rastro de sangue verde, e como dizia o outro, se sangra, pode morrer. E ao morrer há mais uma surpresa, que é a possibilidade de ativar a sua auto-destruição, obrigando os jogadores a largarem tudo e fugirem do perímetro.
Caso os soldados eliminem o predador, ganham a partida, se conseguirem fugir à autodestruição. Também ganham se pelo menos um membro da equipa conseguir cumprir as missões e fugir no helicóptero.

Infelizmente, e tal como os restantes jogos do género, este Predator: Hunting Grounds esgota-se ao fim de algumas partidas. O incentivo para continuar é desbloquear os itens cosméticos, subindo de nível, mas rapidamente se torna repetitivo. E a diversão só é verdadeiramente obtida quando se iniciam partidas com cinco amigos, sobretudo mantendo a comunicação entre os soldados.
E já para não falar que existem diversos bugs e glitches, os menus de caracterização são confusos, assim como o tempo de espera para conseguir preencher a equipa no lobby online, quando não têm amigos para jogar. Se optarem por escolher um predador podem ter de esperar pelo menos uns 5 minutos para entrar num jogo.
Os servidores são partilhados entre o PC e a PS4, com o jogo a suportar crossplay, o que aumenta o potencial de procura. Nas partidas, os jogadores de cada plataforma são identificados. As últimas atualizações melhoraram ainda a IA dos NPCs, porque inicialmente estes pareciam estátuas no seu local, sem reagir à presença dos jogadores. Agora, são até demasiado difíceis em algumas partes.
De um modo geral, confirma-se o mediocricidade de Predator: Hunting Grounds, num formato por si limitado, ainda que tenha os seus momentos altos. Mas apesar de ter uma componente audiovisual apelativa e uma jogabilidade decente, há diversos bugs e problemas de match making. Num mundo ideal, este jogo em si deveria ser a componente multi-jogador de uma campanha narrativa a solo inspirado pelo universo Predator. Decisão que a Capcom fez com Resident Evil 3 Remake.













