
Este mês de Maio pensei voltar aos mares de piratarias. Não ia voltar a Sea of Thieves mas sim a Assassin’s Creed IV: Black Flag impelido pelas recordações que o Miguel Nogueira fez nascer em mim numa troca de posts em redes sociais. Ia voltar a Black Flag, mas a regra principal desta rubrica é voltar a um jogo que eu tivesse escrito um artigo, e não o fiz para esse jogo, mas fiz para outro, da mesma casa e que caiu no esquecimento de muita gente depois do seu lançamento. Este mês de Maio estive De Volta a: Starlink Battle for Atlas.

Uma das coisas mais ingratas deste trabalho é não ter oportunidade para aproveitar alguns jogos ao máximo. Na altura que joguei Starlink para escrever o artigo, dediquei-lhe tantas horas como era possível, sabendo que nunca iria explorar o jogo a 100% ficou-me um amargo de boca, quando o deixei de lado para outras obrigações. Eu sabia que o jogo ainda tinha muito para me dar mas eu não tinha oportunidade de me banhar na sua abundância de conteúdo.
Para revisitar Starlink, o melhor é começar pelo fim e ver o que mudou. Primeiro, ele teve um sucesso muito abaixo do esperado que causou uma descida de preço tal que no Natal de 2019 ofereci o pack inicial aos meus sobrinhos e só custou €15, neste momento a versão da PS4 pode ser comprada numa das maiores lojas online por menos de €10. As naves, pilotos e acessórios também desceram consideravelmente o valor, mas agora já são alvos de scalping. Algumas estão entre €5 e €15 na mesma loja mas no geral já não são fáceis de encontrar tão baratas como há uns meses. Há sempre a hipótese de comprar tudo digital inclusive algumas novas que foram colocadas à disposição. Não as comprei porque já tenho bastantes, mas há lá umas bem giras e ajudam imenso no jogo, algo que para mim foi a jogada mais errada da Ubisoft.

Starlink é um open-world ao estilo dos outros da Ubisoft com todas as suas mecânicas habituais de missões principais e secundárias aliada a uma que apenas foi usada no Assassin’s Creed Syndicate que é a de conquista e gestão de territórios. Aqui são planetas, vamos viajando pelo sistema solar de Atlas e visitamos os planetas para os livrar do controlo das forças inimigas da “Legion”, os planetas são grandes com imenso conteúdo, ambientes e inimigos específicos.
Como em muitos outros jogos não precisamos fazer um planeta a 100% para depois avançar para outro, contudo este é o jogo que acho mais aconselhável fazê-lo. Nós avançamos os planetas e as secções da galáxia em dificuldade, mas os planetas que ficam para trás continuam a ter acção mesmo quando não estamos lá. Nos planetas, as missões principais que devemos fazer é destruir extratores, que poluem o planeta e dão energia às forças da Legion, criar e auxiliar bases de aliados e destruir titãs da Legion.
Num jogo “normal” faríamos o suficiente e avançaríamos para outro, em Starlink convém ganhar 100% do controlo do planeta porque as forças da Legion voltam a atacar, portanto ao deixar o planeta “limpo” e carregado de forças aliadas temos tempo de voltar quando necessário para ajudar ocasionalmente porque os nossos amigos teriam um trabalho mais fácil a gerir as coisas na nossa ausência. Além disso todo o XP ganho nessa conquista é crucial para facilitar as missões mais difíceis mais para a frente, é um grind que pode ser aborrecido mas compensa.

Algo que disse na minha análise há uns anos e continuei a achar é que apesar da utilização de “brinquedos” sendo um toys to life, Starlink não é um jogo para crianças. Pelo menos não para a maioria delas. A gestão das naves, os atributos que lhes podemos melhorar tal como das armas e das suas capacidades é extremamente complexo. Eu que jogo há anos às vezes tinha dificuldades a mudar de estratégia no meio de combates porque aparecia um inimigo novo ou a combinação de armas que estava a utilizar não era tão eficaz como julgava e até encontrar o cocktail certo perdia imensas vidas/naves, obrigando muitas vezes a partir do checkpoint mais próximo.
O que nos leva aos brinquedos e à estratégia da Ubisoft neste jogo. Podemos jogar com o kit inicial apenas mas a nossa vida será muito complicada em vários estágios, as naves adicionais são vidas extra, quantas mais compramos e usamos, mais vezes podemos perder sem voltar atrás. A mesma coisa com as armas, cada planeta ou local tem inimigos com certos atributos, armas de gelo funcionam bem contra inimigos de fogo e vice-versa. A combinação de fogo e gelo é muito eficaz contra outros inimigos mas usar fogo contra fogo é só estúpido porque ao invés de dar dano, dá energia.
O jogo está construído, ainda hoje mesmo após alguns updates para que seja necessário comprar o máximo possível para termos uma hipótese justa. Para quem gosta, imaginem um Soulsbourne em que só podem usar o equipamento inicial, e têm que comprar à parte outros melhores. Conseguem? Sim é possível, mas é justo? Não. Isto aliado a terem entrado no mercado toys to life na sua fase descendente quando Disney Infinity, Skylanders, Invizimals e até Lego Dimensions já tinham acabado ou estavam nas últimas tiragens foram a morte do artista. Infelizmente.

Infelizmente porque Starlink: Battle for Atlas é um grande jogo. Visualmente é duma beleza que poucos conseguem alcançar os planetas são construídos de um modo coeso que dá vontade de explorar, é cheio de conteúdo, desafios e conta com uma óptima jogabilidade. Para quem quer um jogo com centenas de horas, está aqui uma boa opção, especialmente se o apanharem a um bom preço.













