
O Minecraft mudou o mercado. Mas para a verdadeira revolução que o jogo da Mojang trouxe, seria de esperar que após uma década o pé no acelerador que o mercado de videojogos teve em open world sandbox games e survival games começassem a parar. Mas não. Volcanoids, do estúdio Volcanoid, lançado em Early Access no Steam tenta dar um novo fôlego a um género que resiste heroicamente depois de uma saturação nos últimos 10 anos.
No mundo de Volcanoids a civilização foi expulsa da ilha que habitava por uma horda de autómatos a vapor adorados de erupções vulcânicas. Há gostos para tudo. Não vamos começar a fazer volcano-shaming a estes steambots, por favor. Ainda que máquinas a idolatrarem um vulcão é coisa que não faz grande sentido.
Ah, há aqui algo que não expliquei: não basta a Volcanoids estar a fazer CPR aos survival games, tem de ainda misturar na receita o steampunk, esse género que ocupou tudo de um lado a outro. Portanto é sensato dizer que Volcanoids chegou, e chegou bem ao mercado de videojogos… mas com 10 anos de atraso.

Bem, como dizia, em Volcanoids o vulcão que existe no centro da nossa ilha que foi outrora o nosso habitat. Um vulcão que entra em erupção a cada 20 minutos, e que constitui um dos momentos mecânicos do jogo, numa interligação interessante que parece ainda mal explorada.
Para sobrevivermos temos duas hipóteses: correr para o submarino e submergir, utilizando o periscópio para averiguar se a costa está literalmente (e litoralmente) limpa, ou encontra o veículo perfurador e fugir para o subsolo, se é que já o temos ou que já o reparámos para que ele seja funcional.
Num dos últimos updates os criadores implementaram a tão esperada capacidade de cooperação com mais 3 jogadores, criando uma tripulação eficaz e que seja capaz de tornar uma tarefa eficaz estas incursões pela crosta da ilha.

Mecanicamente estamos dentro do espectro dos survival games. Quando morremos perdemos tudo mas podemos procurar a nossa mochila que fica para trás, depois do respawn, e tentar recuperar os materiais que possuíamos. Recolher mais materiais para manufacturar novas ferramentas, armas, e workshops para a nossa perfuradora. Aliás, um dos momentos mais interessantes de possuirmos este veículo que faria inveja ao Krang das TMNT prende-se com a possibilidade de customizarmos as bancadas que construídos no seu interior, optimizando-as para a nossa tripulação.
A componente de FPS em que andamos a alvejar os steambots espalhados pela ilha é que deixa muito a desejar, de tão clanky (piada intencional) que é. A componente de tiroteio acaba por ser dos momentos mais fracos de todo o jogo, e aquele que sinto que o jogo necessita de evoluir, e muito. Ora não fosse a sua descrição, pelos seus próprios criadores, como um FPS steampunk survival game.
Com um mapa sem geração procedural, desconfio da sua longevidade e da sua rejogabilidade. É verdade que à medida que vamos melhorando o nosso equipamento e a nossa perfuradora temos acesso a caves subterrâneas repletas de lava, mas ainda assim o que Volcanoids nos traz neste momento de desenvolvimento é uma experiência curta e superficial. Ainda que passado debaixo da terra e do mar.
(Ah, uma piada)

Falta-me dizer, aliás, sob risco de ser injusto para com este jogo ainda em alpha, apesar das boas premissas sente-se ainda muita falta de sumo nas suas ideias, num esqueleto férreo que ainda precisa de muitos meses de trabalho para nos permitir ir mais longe no reduzido loop de jogabilidade da versão actual. Quem sabe daqui a uns meses a experiência não seja melhor? Ou em 2010, quando Volcanoids teria assentado que nem uma luva?













