Dia 11 a Sony mostrou mais do que iria ser a sua futura consola: para além de novos jogos, esperava-se a revelação do aspecto da consola. O que acabou por acontecer.

As expectativas eram altas e a apresentação começou em formato de retrospectiva. Eu estava à espera de algo no formato que vimos da Xbox Series X – e apesar de ter sido semelhante – mas com um ritmo melhor planeado.

Todas as transições para o conteúdo não foram aborrecidas, e até criaram um sentimento maior de expectativa. Para mim o ponto mais baixo de interesse foi o facto de depois da retrospectiva feita, era mais do que expectável que GTA V fosse portado para esta nova geração, mas nada se soube.

O anúncio – do que dias depois se soube que não era uma expansão para o jogo Spider-Man – foi intrigante até porque a Sony antes usou-o como showcase das capacidades do SSD, no dia a seguir muita especulação caiu sobre o que aqui foi mostrado e acabou-se por saber que será uma expansão stand alone do jogo.

Grand Turismo 7 foi revelado, muito embora neste género tenhamos chegado próximo do ultra realismo e ser já muito difícil uma revolução, pelo menos onde se focam mais os detalhes no jogo que são a pista e os próprios caros, mas ainda assim notou-se algumas melhorias que estão relacionadas com o raytracing em tempo real que consegue trazer maior realismo nas sombras e reflexos.

Ratchet e Clank Rift Apart na minha opinião acabou por ser a melhor revelação, melhor que a revelação final com o design da consola a ser mostrado. O que se viu e ouviu conseguiu demonstrar o que até àquele dia nem a Microsoft nem a Sony tinham conseguido que foi demonstrar o real salto que esta nova geração irá representar em relação à PlayStation 4 e Xbox One. Ratchet e Clank Rift Apart do que demonstraram do gameplay foi fenomenal e saltaram à vista 2 pormenores muito importantes que são característica exclusiva deste novo hardware.

As explosões eram ricas e detalhadas, cheias de artefactos e partículas, demonstrando um nível de pormenor excepcional no motor de Física e que é algo bastante taxativo até no hardware mais actual em PCs topo de gama e que costuma taxar em especial tanto CPU como GPU, mas sobretudo o CPU.

Mais que gameplay foi uma demonstração técnica exemplar, os efeitos de luz, partículas e as transições para cenários completamente diferentes e de forma instantânea faz-nos desta vez acreditar que esta nova tecnologia nova em torno duma arquitectura especializada no “SSD” é realmente o que nos querem propor.

Este exclusivo irá ser alvo de muito esmiuçar técnico nos próximos tempos antes e depois de sair e se a qualidade do mesmo fizer justiça ao seu legado pode vir a ser a primeira killer app da consola!

Project Athia da Square Enix apesar de algum gameplay curto conjugado com um tease pré-renderizado não deu hipótese de fazer um pré-julgamento, além de que poderá ser uma demonstração técnica do Luminous Engine para a PlayStation 5.

Stray foi o segundo jogo que achei interessante, bastante colorido e que de forma simples mostrou também o nível de detalhe que esta geração pode trazer. Não sabemos o género, pareceu-me uma aventura gráfica mas como o protagonista é um gato podemos ter aqui uma aventura com alguma exploração num mundo no futuro onde não existem humanos.

De Returnal especulo que será pelo menos outro exclusivo mas pelo menos nas consolas dado o selo “PlayStation Studios”, não se pode falar muito dado que o que mostraram foi curto e não se viu muito que se destacasse dos actuas jogos desta geração, é esperar para ver. O tema no fantástico sci-fi com “space horror” pode ser interessante.

Sackboy A Big Adventure não mostrou os aspectos de criação de níveis que vimos na serie Little Big Planet, assume-se que seja desta vez um jogo de plataformas no mesmo estilo mas com níveis mais complexos e focado apenas numa experiência linear.

E com a Media Molecule concentrada em novas criações como o incrível Dreams é de esperar que a Sumo Digital tenha pegado apenas no universo da série.

Para compreendermos Destruction All Stars temos que olhar para o backgrund de ex-Bizzare Creations, os que criaram jogos como Metropolis Street Racer na Dreamcast e Project Gotham Racing na Xbox, ou Geometry Wars e Blur, parece-me que a aposta num jogo de corridas é uma aposta segura para entrar nesta nova geração.

O tema de destruição com temática de jogos radicais é interessante e será um jogo interessante de acompanhar nesta onda de jogos do estilo esports.

Kena: Bridge of Spirits foi também um dos jogos que mostrou mais alguma coisa o ambiente incrivelmente detalhado ao nível do Horizon Zero Down mas mantendo um look mais cartoonish e colorido. Esta apresentação ficou marcada com uma selecção de títulos diversificada para todas as idades e gostos.

Goodby Vulcano High: o foco em demonstrar os visuais de nova geração mudou, num aspecto animado a 2D apresentaram-nos algo que tem um feeling de Life is Strange mas nada foi mostrado de gameplay e pareceu-me uma aventura gráfica, numa clara mensagem que todos os géneros vão estar no catalogo inicial inclusive Indies que tanto sucesso têm feito de há uma década para cá.

Oddworld: Soulstorm entrou numa abordagem mais tradicional, vamos voltar a ver um título de Oddworld em perspectiva isométrica, mas o que se notou na apresentação foi o uso quase que excessivo de todo o tipo de animações, as explosões e os detritos e partículas resultantes mostram que isto é sim um jogo que ira usar e abusar do novo hardware, é bom imaginar como correrá esta abordagem de incluir mecânicas mais tradicionais dos clássicos Oddworld num jogo moderno.

A apresentação de Ghostwire: Tokyo pareceu-me mais scripted que os anteriores, poderá ser pre-rendered ou in-engine, mas fora essa questão que fica em duvida é um jogo cuja editora é a Bethesda.

O género futurista de hack n slash e shooter na terceira pessoa numa Tóquio futurista vai agradar a uns e desagradar a outros, do que mostraram gostei do tema de “digimancer” as habilidades de hack e manipulação de cenários como o de uso de um tipo de feitiços. É esperar para ver como fica este cocktail.

Com JETT : THE FAR SHORE o meu gosto especial por jogos de sobrevivência e exploração deu o clique, gostei do ambiente estilizado e os tons de cor menos garridos como outros jogos que exploram o mesmo tema da exploração espacial, dando-lhe um ambiente de mais solidão e mistério.

Mais um para seguir de perto.

Godfall: este foi o jogo apresentado que menos me interessou, pareceu-me genérico e a musica escolhida para o trailer de gameplay não encaixou bem. Pareceu um hack ´n slash muito ao estilo de SMITE, que é um MOBA. Se calhar poderá ser mais um, pareceu-me ser esse o publico alvo.

Solar Ash é dos criadores de Hyper Light Drifter, o estilo não engana tem algumas impressões características mas do que a gameplay mostrou parece uma fusão de The Jurney com Gravity Rush.

Hitman III é a nova iteração dum franchise já conhecido que dispensa apresentações, e nesta geração seguirá a evolução técnica habitual.

Astro’s Playroom: olhando ao titulo parece ser baseado nutro jogo existente para PS VR só que poderá ser um conjunto de mini-jogos.

Little Devil Inside: outro jogo de Aventura e Exploração que também achei cativante e intrigante, o estilo é peculiar.

NBA 2K21 apela mais mais para o público Norte Americano, tem o seu mercado e faz sentido, mas o que não fez muito sentido foi distanciar-se da lógica da apresentação em mostrar gameplay mais concreto. O CGI do trailer pareceu-me pobre e algo feito às três pancadas.

Bugsnax é um trocadilho inteligente entre bichos e snacks, é dos criadores de Octodad e o estilo animado e divertido faz também parte do publico tão alargado que existe que não apenas só de temas adultos. É um jogo cross gen vai sair também para PS4.

Quando apareceu o Shuhei Yoshida pensei para mim bem vai ai a revelação da consola propriamente dita mas estava redondamente enganado e foi também uma surpresa, Demon’s Souls deu o “kickstart” à serie Souls e merece mais reconhecimento que Dark Souls. O jogo com 11 anos não se pode dizer que tenha envelhecido mal, mas dado o salto tecnológico que estamos a ter neste momento é a altura perfeita para um remake do jogo para mais pessoas o jogarem, e se calhar experimentarem-no mais próximo da visão original que o produtor tinha do jogo e não conseguiu concretizar devido às limitações da PlayStation 3.

Deathloop mostrou um conceito interessante dum stealth shooter com mecânicas de Dishonored, este ultimo desenvolvido pelos mesmos Arkane Studios que também dispensam apresentações e a julgar pelo seu pedigree será outra aposta segura.

Resident Evil Village foi uma revelação inesperada e o inicio foi um mistério tendo eu quase acreditado nos rumores do Silent Hill tal foi o ambiente próximo, mas que se revelou por ser o próximo Resident Evil num ambiente ao estilo do 4º jogo.

ComPRAGMATA a Capcom aproveitou também para mostrar um novo IP num jogo também dentro do tema futurista numa terra que aparenta ter sido destruída e a civilização humana completamente ou parcialmente varrida. No aspecto técnico também mostrou características de Raytracing. Não será um jogo de lançamento e é esperado chegar em 2022.

Horizon Forbidden West é a sequela aclamada dum dos melhores jogos da PS4, conseguiu mostrar que muito pode ser ainda feito num mundo que já era incrivelmente detalhado. Pelo que foi mostrado vai ser um showcase do que pode ser feito nesta geração em comparação com a anterior.

Por fim o que todos esperavam mas poucos acreditavam que seria desta vez que iam ver: a Sony mostrou o aspecto da sua consola, mais propriamente de duas versões – uma sem o Leitor Blueray e outra com, voltando a reintroduzir uma consola só para o digital como já tentara com a PSPGO e Playstation TV e também como a Microsoft tentou com a Xbox One All Digital. Só o tempo ditará se será desta que o modelo sem leitor de discos terá algum sucesso.

O design intrigou-me, não me pareceu apenas motivo de simplesmente ser diferente, poderá estar ali um motivo mais pratico do que parece à primeira vista, estou a especular obviamente, mas olhando por exemplo do que se falou do devkit a Sony encontrou uma forma diferente para manter o sistema mais arejado e eu desconfio que foram buscar alguns princípios dos quais o Efeito Coandă.

Numa forma leiga as formas curvas e apertadas num desenho específico necessitam de pouca ajuda para canalizar o ar, a base essencial do mecanismo é gerar uma baixa pressão que vai puxar o ar sem que seja necessário um esforço maior por vias mais artificiais como ventoinhas mais rápidos e portanto mais ruidosos, e por consequência temos uma consola com o aspecto diferente mas mais fresca e silenciosa.

Resumindo a apresentação acabou por cumprir nas expectativas e no global foi bastante positiva porque o que se pedia era gameplay e menos trailers CGI pré-renderizados. Não foi totalmente assim mas o essencial foi mostrado e a rematar com a revelação da consola.