Caçada Semanal #220

Esta é a bicentésima vigésima caçada semanal. Neste parágrafo eu deveria falar qualquer coisa de introdução aos 3 indies que vou apresentar de seguida. Mas não tenho nada para dizer, desculpem-me.

UnderMine [PC, Switch, Xbox One]

Roguelikes, roguelikes por todo o lado. Há tantos indie roguelikes a chegar ao mercado quanto há desgraças a surgirem no ano 2020. Ok, perdoem-me o exagero. Há um bocadinho mais de desgraças a chegarem em 2020. O que quer dizer muito do ano que estamos a ter.

UnderMine não é o nosso típico dungeon crawler roguelike, em que somos um guerreiro indomável decidido a fazer limpeza a malfeitores em masmorras e outras caves. Em UnderMine somos, como se esperaria, um mineiro, armado de coragem e uma picareta, a desbravar cavernas em busca de minérios preciosos.

Pelos caminhos empedernidos das cavernas que exploramos, descobrir itens que dão necessários buffs ao nosso anónimo mineiro é um dado adquirido. É claro que ainda podemos cruzar-nos (e resgatar) outros aldeões que se vão juntar à nossa cidade para nos vender ferramentas para as nossas futuras incursões.

É claro que a nossa cidade, que podemos fazer upgrades permanentes, é um dos momentos mais interessantes e mais inspirados de UnderMine, que por todas as razões e mais algumas nos faz lembrar um SteamWorld Dig em vista aérea falsa.

Lançado há pouco tempo em Early Access, UnderMine é um dos mais promissores roguelikes lançados este ano, especialmente porque faz um esforço enorme para fugir a todos os clichés do género.

Infinite – Beyond The Mind [PC, Xbox One, PS4, Switch]

Há qualquer coisa de mágica e incompreensível na minha capacidade, ali à volta dos 7-8 anos de ter dado a volta à trilogia de Ninja Gaiden e Battletoads na NES. Não sei se sem perceber como vendi a minha alma ao Diabo e ele conferiu-me poderes sobre-humanos, mas sei que já tentei repetir a proeza agora que sou mais velho e o falhanço é aflitivo.

Infinite – Beyond The Mind veio lembrar-me que a minha destreza é inversamente proporcional ao do vinho: e foi piorando com a idade. Ou isso, ou – e prefiro acreditar nesta versão – o meu tempo disponível para bater jogos de plataformas com um nível de desafio superior é inferior ao que tinha quando era um jovem e despreocupado.

Neste jogo lançado para todas as plataformas, podemos escolher entre as duas protagonistas, Tanya e Olga, e com elas tentar pôr cobro ao reinado da maléfica Rainha Evangelyn Bramann.

Com modo cooperativo existente, é impossível não olhar para a pixel art 16 bits de Infinite – Beyond The Mind e não a ver como um cruzamento de River City com Ninja Gaiden. Um cruzamento estranho que notoriamente funciona.

Com novas habilidades cumulativas que as protagonistas vão ganhando entre níveis, mais boss fights memoráveis ao longo de 16 níveis, Infinite – Beyond The Mind é um action platformer old school obrigatório para todos os que querem um desafio da velha guarda.

Deathtrap Dungeon: The Interactive Video Adventure [Android, PC, Mac]

Fighting Fantasy está de volta, longa vida a Fighting Fantasy. Sei bem que isto não é novidade para ninguém, e como ávido leitor da série de livros de lombada verde publicadas pela Verbo vejo este renovado interesse como uma das coisas mais maravilhosas que já pude assistir.

Os videojogos são assim os parceiros privilegiados daquilo que todos conhecemos como Aventuras Fantásticas. Jogos narrativos em formato de livro no qual o nosso sucesso depende das nossas escolhas e de alguma sorte aos dados. Já muitos foram os jogos clássicos escritos por Ian Livingstone e Steve Jackson adaptados a videojogo, mas o que Deathtrap Dungeon: The Interactive Video Adventure faz é diferente, bem diferente, e não se fica por apenas um revivalismo dos Fighting Fantasy, mas uma forma de reviver os FMV games.

Deathtrap Dungeon: The Interactive Video Adventure traz-nos um dos mais emblemáticos livros da série – quiçá o mais emblemático – narrado e interpretado pelo emblemático actor Eddie Marsan, que sim, é um daqueles que pelo nome não sabemos quem é até que percebemos que ele esteve em tantos filmes que já vimos que exalamos um “ahhhhhhh!”.

Mas o melhor desta adaptação é vermos Eddie como um narrador que nos convida para o conforto da sua sala de estar, e que nos vai apresentando as decisões, as ramificações e os perigos que a afamada Masmorra Infernal tem para nos oferecer.

Poder jogar esta história desta forma é uma delícia, e só posso esperar que os resultados comerciais justifiquem adaptações similares de outros livros brilhantes. O Feiticeiro da Montanha de Fogo narrado pelo Marsden. Por favor, façam-no acontecer. Vá lá!