
Caçada Semanal #222
Os dois “jogos” da caçada de hoje são focados em experiências psicológicas, fazem-no de modos e com ferramentas completamente diferentes e são bastante bem sucedidos. Curiosamente, ou se calhar nem tanto, ambos os métodos usados são também utilizados como formas de tortura. Ou eram. Até essas coisas serem proibidas.
SoundSelf: A Technodelic [PC, Mac, Linux]

Para quem faz, ou fez, meditação sabe que há um longo processo de aprendizagem até chegar a um ponto em que conseguimos realmente alcançar estados de calma profundos. A respiração, os mantras repetidos metodicamente são o caminho para o que recentemente passou a ser chamado “mindfulness”. SoundSelf é quase uma batota, um atalho que nos leva mais rapidamente ao destino desejado.
SoundSelf não é um jogo, isso é algo que tem que ser esclarecido logo de inicio. É sim, uma experiência imersiva que pode ser utilizada em VR ou num ecrã normal. Com o auxílio de um headset o som que produzimos, que pode ir de uma nota constante para os iniciados ou mantras como Om Mani Padme Om ou Om Shanti Shanti Shanti e outros para os mais experientes, é reproduzido e modelado, e é aliado a visuais psicodélicos com cores e formas em sintonia, mais ou menos o que suponho que fosse tomar ácidos nos anos 70 e ver alguém passar com aquelas tshirts às cores.

Para aqueles que não viveram os anos 1970 mas também não são assim tão jovens, os efeitos são como os do antigo Windows Media Player, mas muito melhores.
Como experiência sensorial ou suporte de meditação, SoundSelf: A Technodelic é recomendável. Mas apenas para isso. Não é um jogo, o que não quer dizer que não seja muito bom naquilo que se propõe a fazer.
https://www.youtube.com/watch?v=zuvDa1Q45Qo
The Shattering [PC, Mac, Linux]

Como eu tinha dito antes, algumas das ferramentas utilizadas nos dois títulos de hoje eram utilizadas também como ferramentas de tortura.
O Som era usado de várias formas aliado outros como privação de sono, mas talvez a forma de tortura psicológica mais cruel e eficaz fosse “A tortura do branco” que consiste em colocar o alvo da tortura num local isolado, física e sonoramente, onde tudo, desde o tecto até ao chão inclusive as roupas e comida são brancas. Até as luzes são desenhadas para não lançar sombras. Esta privação de cor conseguiam que os prisioneiros perdessem a memória até chegar ao nível de se esquecerem da sua identidade. Que é o ponto de partida para The Shattering.

The Shattering é também uma experiência psicológica, é mais jogo que SoundSelf mas não deixa de ser um caminho para uma mente, a de John Evans, que não se lembra quem é. Guiados por uma voz, do Doctor. Não do Doctor, mas de um Doctor. Vamos viajando pelas memórias de John, e pouco a pouco descobrindo quem ele era. E como podem já ter percebido, é practicamente tudo em branco. Há sombras e algumas tonalidades mas há uma ausência de cores vivas.
Pelo caminho vamos resolvendo puzzles simples, desvendando uma história interessante através de uma perspectiva mais pessoal que é normal.

Este walking simulator é muito diferente do habitual. Não é genial mas tal como SoundSelf é algo que pode apelar a um público que procura algo mais calmante que emocionante. Em particular é apontado para quem procura um jogo mais introspectivo.













