Uma década depois do seu lançamento, é impressionante ver o quanto Minecraft continua a ser importante para a indústria dos videojogos. É atualmente o jogo mais vendido de sempre, com mais de 200 milhões de cópias vendidas, com média de 120 milhões de utilizadores ativos mensalmente.

Mas chegou a vez da Mojang oferecer uma nova aventura do universo Minecraft, desta vez algo totalmente diferente para os fãs: um dungeon crawler, que funde na perfeição a estética original em blocos de construção, mas com uma jogabilidade frenética e viciante de jogos como Diablo, ainda que despido de toda a complexidade associada ao género.

A proposta é muito simples: encarnar um aventureiro, que pode ser caracterizado pelos jogadores e partir a solo, a dois em co-op na mesma plataforma ou na companhia de mais três jogadores online. Terão pela frente a exploração de 10 cenários disponíveis na aventura, até encontrar e derrotar o feiticeiro Illager. A aventura é muito curta, demorando umas cinco horas a finalizar a primeira vez em normal. Mas tal como é habitual no género, o encanto está em repetir as missões em dificuldades mais difíceis e procurar inimigos mais poderosos e claro, loot mais suculento. Há itens e inimigos que não vão aparecer na primeira run do jogo.

E é este o espírito que devem ter em conta desde início, na forma de pensar como melhorar a personagem, pois caso contrário, o que na prática vão encontrar é uma experiência repetitiva. O objetivo é sempre o mesmo: explorar o mapa labiríntico e encontrar a sua saída, pelo meio encontrando alguns bosses e mini-bosses que os fãs irão reconhecer, como o Enderman ou golems de fogo. Existe uma contextualização narrativa em cada cenário e uma oferta de ambientes diferentes, inspirados no jogo original: caves, cenários de lava, montanhas nevadas, desertos, até fortalezas no final da aventura.

O jogo tem uma acessibilidade exemplar, apontando diretamente para um público mais jovem, o mesmo de Minecraft, numa nova oportunidade de partilhar a experiência com amigos ou familiares. No entanto, apesar do aspeto estético semelhante ao original, não é possível construir ou partir os cenários para recolher as habituais matérias-primas. E ainda bem.

Inicialmente o jogo apresenta a dificuldade normal, sendo necessário enfrentar o boss final para desbloquear as duas seguintes: Adventure e Apocalypse. Mesmo cada capítulo tem seis dificuldades inerentes, que requerem que a personagem tenha um valor de poder geral semelhante, que é somado pelo equipamento que está a usar. Por isso é necessário explorar e encontrar itens como armas, armaduras, arcos e outros objetos mágicos. O desafio será, claro, explorar os níveis na dificuldade máxima, em verdadeiros speed runs dos cenários para fazer grind de itens poderosos.

Semelhante a outros jogos do género, os itens podem ser comuns, raros, únicos, com estatísticas próprias e alguns perks que adicionam habilidades passivas à personagem, tal como libertar eletricidade quando rebola, ou oportunidade de libertar fogo ou outro elemento. É preciso conjugar as propriedades próprias do equipamento, como as suas passivas inerentes, tais como conceder mais dano com as armas ou oportunidades de dano crítico. Há muito por explorar neste campo.

Mas o interessante é que a Mojang decidiu manter tudo muito simples no que diz respeito a classes de personagens. Não existem classes pré-definidas, o jogador executa ataques conforme o que tem equipado, sem qualquer restrição ou nível da personagem. E não existem estatísticas ou pontos a distribuir por atributos. A única coisa que ganham na passagem de nível é uma gema de encantamento para fazer upgrades ao equipamento.

Cada arma ou armadura têm diferentes habilidades inerentes, mas estas necessitam ser desbloqueadas introduzindo as gemas, mediante a build que o jogador estiver a construir. Escolhida a habilidade, é possível fazer três upgrades com diferentes valores de gemas. E certas armas mais raras permitem desbloquear até três habilidades passivas e respetivos upgrades. No entanto, para recuperar essas gemas terão de destruir a arma, pelo que se encontrarem outra melhor, necessitam ter a certeza se querem mesmo destruir a anterior, pois não há volta a dar.

Entre as missões os jogadores têm acesso a um acampamento, onde podem aceder a lojas de armas e de equipamento. As armas que não necessitam não podem ser vendidas, mas podem ser recicladas em troco de gemas. E estas gemas servem para adquirir novo equipamento. Porém, invés de escolherem o que querem, tudo o que sai é aleatório, no mesmo nível da personagem. É como se fosse uma máquina de ovos surpresa, simplificando desta forma toda a economia do jogo. Pensam em fazer reforge, transmute ou mudar estatísticas das armas? Estão no jogo errado.

Ainda no que diz respeito ao multiplayer, para já apenas é possível jogar no PC e Xbox One, com o jogo disponível no Game Pass. Porém, com o lançamento previsto na PS4 e Switch, está prometido futuramente o suporte cross-platform. 

No geral, No entanto, senti que poderia ter sido mais ambicioso no conteúdo oferecido, na sua longevidade para além do grind no endgame. E pelo mapa, já estão prometidas novas áreas para explorar em forma de DLC. É o típico jogo que devem aventurar-se com amigos, pois é bem mais divertido explorar em grupo.