Disintegration é o primeiro projeto da V1 Interactive, estúdio que embora se estreie na indústria é liderado por Marcus Lehto, o co-criador de Halo, durante o seu tempo na Bungie. Esse crédito é motivo suficiente para ficar curioso no seu novo jogo, até porque a pequena equipa composta por cerca de 30 pessoas preferiu arriscar num formato pouco comum, a mistura de FPS com RTS. O que faz sentido no ADN de Marcus, porque se calhar muitos estão longe de pensar que a famosa saga de Master Chief começou por ser um RTS até ganhar a sua forma final em forma de first person shooter. 

Mas não se iludam, os elementos de estratégia são muito leves e resumem-se ao controlo do protagonista na primeira pessoa, enquanto damos ordens a um grupo de quatro elementos que nos acompanham. Podem simplesmente colocar-se na retaguarda e ir gerindo a equipa sem se envolver no combate, e isso é a única comparação do jogo com um RTS. Nada de construções de bases ou mecânicas muito complicadas.

O jogo tem bons valores de produção de um modo geral, mas peca por algumas decisões de design dúbias. O formato de campanha por missões quebra um pouco o envolvimento que estaríamos à espera daquele que ajudou a moldar a saga de Master Chief. Isto porque temos missões que demoram muitas vezes entre 40 minutos a uma hora, sem poderem interromper, caso contrário começam de início, não é amigo de sessões curtas de jogo. E já para não falar do seu promissor suporte multi-jogador, que simples chega morto no lançamento, sem ninguém nos servidores para jogar. Mas já lá vamos.

O estúdio procurou criar uma narrativa de ficção científica que acaba por tocar um pouco na atualidade, com esta situação da COVID-19. As mudanças climáticas e as pandemias acabaram por eliminar grande parte da população terrestre, e para poder sobreviver, é decidido utilizar uma tecnologia chamada Integration, ou seja, passar a mente dos humanos para o corpo de um robot. Assim, apesar de serem máquinas, estas têm a mesma consciência dos humanos. Seria um processo temporário, de emergência, até que a Terra estabilizasse, mas como seria de esperar surge um grupo de radicais, denominado por Rayonne, que decidiu que afinal a integração é o futuro da humanidade.

O jogador assume o papel de Romer Shoal, outrora uma celebridade que ajudou na campanha de convencer as pessoas a integrarem a sua mente nos robots. Mas ele é agora um agente da Desintegração face ao terrorismo patente pelo grupo de vilões. Terá assim, juntamente com o seu grupo de robots de completar as missões e devolver definitivamente a humanidade aos humanos, sendo ele próprio um robot.

Algo que salta à vista é que estes robots agem como humanos, e são verdadeiramente cools, cheios de estilo, pelas suas vestimentas, mas também repletos de humor e tiradas engraçadas durante as cut scenes. Parece que estamos perante uma espécie de Transformers.

O protagonista não se desloca a pé durante as missões. Tem um veículo que faz então a diferença na jogabilidade, chamado de Gravcycle, que como o nome indica é uma espécie de mota voadora, equipada com duas armas. Esta permite uma maior liberdade de movimentos no terreno, pois podemos deslocar-nos na vertical e dessa forma ter uma melhor noção do campo de batalha, para ser mais prático dar ordens aos companheiros.

Ordens essas que se limitam a deslocar para determinado ponto ou atacar inimigos, usando apenas um único botão atribuído ao contexto. Podem ainda dar instruções individuais aos quatro elementos para o uso da sua habilidade especial, que pode ser uma granada, um campo electromagnético ou capacidade para curar, sendo estas designadas a cada seta do D-pad.

Nesse sentido, as missões passam por explorar longos mapas, eliminar vagas de inimigos, avançar ou defender um local ou encontrar e libertar prisioneiros. Não existem assim tantos objetivos durante as missões, mas a ação é satisfatória e desafiante, muitas vezes caótica, obrigando a mudar constantemente o posicionamento da nossa personagem. E para dificultar, cada companheiro abatido tem de ser recuperado em poucos segundos senão perdem a missão, tendo de recomeçar no último checkpoint.

Apesar de poderem voltar aos constantes save points, caso saiam a meio da missão, como referi, vão ter de recomeçar a missão, perdendo todo o progresso da mesma. Uma decisão que obriga os jogadores estarem meia hora ou mesmo quase uma hora na mesma missão, para não ter de repetir todo o progresso feito na mesma.

Ao longo das missões vão recolher sucata que serve de experiência, para subirem níveis, assim como chips de melhorias, que entre os briefings podem aumentar as capacidades da vossa equipa e protagonista. Elementos como a durabilidade dos robots, o dano com as armas, a velocidade de regeneração e a velocidade com que regressam ao campo de batalha são os elementos que podem melhorar.

Outro aspeto que não se entende para este género de jogo é que apesar de Roman ter à sua disposição diversos elementos, nunca podemos construir a nossa equipa. Cada missão obriga-nos a jogar com os respectivos companheiros designados. Ainda se compreendia, devido a aspectos narrativos, mas isso é reforçado pela limitação das armas. Igualmente não podemos mudar as armas no briefing, somos brindados com diferentes géneros, seja uma metralhadora e caçadeira, por vezes levamos arma de restauro de energia, sem termos qualquer decisão sobre como queremos jogar.

Infelizmente não foi possível testar a componente multi-jogador durante o teste. Apesar de continuar a jogar após o seu lançamento, os servidores estão completamente vazios e nunca consegui fazer um match making. Ou então há jogadores e os servidores não funcionam, mas não é essa a mensagem que passa… No entanto, pelos seus menus parece ter uma integração interessante com meta-objetivos para concluir, diferentes skins para desbloquear… e claro, microtransações.

Há três modos de jogo em torno da captura de zonas, recolher as tags dos adversários mortos em combate e um terceiro chamado Retrieval, que não percebi. As batalhas jogam-se com uma equipa, tal como a campanha.

De um modo geral, Disintegration é um jogo acima da média, com uma abordagem diferente ao género FPS, mas longe de o podermos considerar um RTS. As mecânicas funcionam bem e as missões têm momentos intensos. Controlar o Gravcycle é divertido e responde bem, assim como dar ordens aos companheiros. Mas tem decisões de design que deixam a desejar, alguma dificuldade pouco balançada ao longo da missão e a impossibilidade de regressar ao save point caso abortem a missão a meio não se compreende. E sendo um jogo de um estúdio novo, sem ganhar tração, o multi-jogador às moscas impede-o de alcançar outros voos.