São daquelas pessoas que acha que tanto o Animal Crossing, Stardew Valley ou o My Time at Portia são demasiado fofos para aplacar a vossa fome de uma espécie de life simulator? HammerHelm quer ser essa resposta, para jogadores e jogadoras que gostam de aventuras de barba rija digna do mais empedernido dos anões.

Apesar de estar em Early Access há já 3 anos, a entrega quase imediata dos membros dos SuperSixStudios em ouvir os muitos comentários que a comunidade lhes vão dando tem contribuído para que HammerHelm se vá aproximando de um porto seguro.

Estando em Early Access, existem muitos bugs desculpáveis. Mesmo o ar meio tosco do mundo ao qual parecem faltar texturas é rapidamente esquecido pelo misto de jogo de aventura e city builder na terceira pessoa. 

A história é interessante: fartos de viver nos subterrâneos, o líder escorraçado de um grupo de anões e o seu séquito decidem procurar a superfície onde o sol brilha e o céu é azul. Coisa que só podiam encontrar nos seus sonhos mais aventureiros. 

Muito do nosso tempo em HammerHelm é passado entre o desenvolvimento da cidade, da sua comunidade e das lojas que nos vão alimentar os interesses aventureiros, e a ida a dungeons para terminar quests que permitam à nossa sociedade florescer. Que invariavelmente passa por dar umas valentes machadadas em alguém.

Há pouco falava de bugs, e de eles serem perdoáveis num Early Access, mas alguns dos meus new gameplays tiveram de ser cortados com alguns bugs no modo de construção da cidade. Momentos em que fiquei bloqueado nesse modo sem poder voltar a controlar o personagem novamente. Acredito que estas situações venham a ser corrigidas num patch futuro, mas ainda tive de recomeçar o jogo duas ou três vezes.

Na exploração e combate, apesar de interessantes, nota-se que estamos ainda à volta de um esqueleto ao qual falta adicionar muito conteúdo. O combate em si ainda está pouco variado, e apesar de ele representar uma grande tranche do nosso tempo em jogo, ainda há muito a melhorar neste campo.

Os recursos, esses, são quem dita o crescimento da nossa cidade, tendo em noção que, como em qualquer bom city builder, ter mais gente a coabitar connosco pode significar mais mão-de-obra ( e os mais antigos que viam os filhos como fonte de rendimento e força de trabalho) mas são também um maior consumo de recursos. Este equilíbrio tem que ser constantemente encontrado para que a nossa comunidade de anões da superfície não entre em ruína antes do tempo.

A possibilidade de alocar alguns nos nossos concidadãos a tarefas manuais acabam por ajudar-nos a focar em quests e em dungeon crawling. A recolha de pedra, madeira e outras tarefas como a pesca e a forja podem ser atribuídas aos anões que nos acompanham, e essa distribuição de profissões é também parte da gestão deste peculiar city builder.

Já vos disse que sou fã de city builders? Já, dezenas de vezes. Neste caso HammerHelm arrisca: quer ser um jogo de aventura clássico na terceira pessoa, mas ao mesmo tempo dar-nos as ferramentas (literalmente) para construirmos uma colónia de anões. 

Há ainda muito trabalho pela frente, diria até que em especial no campo artístico, com o jogo a ter um aspecto excessivamente tosco para que muitos jogadores olhem para ele com o reconhecimento que (potencialmente) merece. 

Mas HammerHelm é sem sombra de dúvidas uma ideia criativa de mistura de géneros e um jogo que merece estar sob o nosso radar nos próximos tempos. Um city builder inovador, que quis ir mais longe do que tantos outros. Só nos resta saber quão longe conseguirá ir.