
Ligamos a TV, ouvimos a rádio, percorremos as redes sociais, lemos os jornais e só se fala de uma coisa: do regresso do Jorge Jesus ao Benfica. E lá em rodapé ainda aparece aquela doença que nos virou a vida de cabeça para baixo. Como é que se chama mesmo? Bolas, acho que me esqueci do nome. Ah, sim, coronavírus.
Há 5 anos pegámos numa verdadeira entourage do Rubber Chicken e fizemo-nos à estrada para a Gamescom. No meu caso e de mais 3 corajosos acompanhantes fizemo-nos aos carris, numa extenuante viagem entre a Gare do Oriente e a estação de comboios de Colónia. Este ano estávamos a preparar-nos para repetirmos a aventura, todos francamente mais velhos e mais cansados, mas com vontade para revisitar um evento tão emblemático. E depois… aconteceu a pandemia…
E porque é que isto é importante? Porque nessa última incursão da galinha por terras germânicas, o João Machado conheceu o estúdio polaco Jujubee, que lhe apresentaram 2 jogos que se tornaram dos seus favoritos de todo o certame: Realpolitiks e Kursk.

A meio da pandemia foi com alguma surpresa que os vi a lançarem mais um jogo, num ápice: um jogo de estratégia em tempo real sobre a pandemia que estamos a viver.
Seria de esperar que dado o imediatismo do tema e o período de lançamento do jogo que COVID: the Outbreak fosse apenas uma desculpa mal amanhada da Jujubee para ganhar uns trocos. Mas sabem que mais? O que aqui vemos é um jogo de estratégia de tremenda complexidade, e que espelha bem as muitas variáveis de contenção e gestão da pandemia.
Encarnamos uma organização similar à OMS, que tem de conseguir articular-se com o mundo inteiro para travar o SARS-COV2. Entre a gestão financeira, os apoios científicos e institucionais aos países afectados, há muitos elementos para controlar, e, como na vida real, é fácil sentirmo-nos exacerbados com os múltiplos menus. O mais provável, como me aconteceu, é verem o mundo a sucumbir perante a pandemia.

Voltando um pouco atrás, durante muito tempo joguei ao pai destes jogos, e aquele que é um dos jogos de tabuleiro mais importantes da última década: Pandemic. COVID the Outbreak é uma versão hiper-complexificada desse magnífico jogo. Um jogo de estratégia tão denso que me parece perfeito para todos os fãs dos jogos das maiores editoras europeias de estratégia. Daqueles que o tutorial parece não ser suficiente para nos fazer mergulhar em todas os muitos detalhes mecânicos e estratégicos que o jogo nos traz.
A Jujubee conseguiu surpreender-nos pelo quão rápido e polido está toda a dimensão estratégica deste seu COVID: the Outbreak, um jogo que os próprios assumem como o seu contributo pedagógico neste momento difícil em que vivemos.

E assim é. A controlar o fac-símile de OMS que aqui temos podemos perceber o quão difícil é gerir a componente científica, humana, de articular politicamente e influenciar as políticas de cada país, e ainda controlar financeiramente os investimentos que temos de fazer um pouco por todo o mundo.
COVID: the Outbreak é um excelente jogo de estratégia em tempo real, que tem o condão de ser hiper-actual, e de ainda por cima estar neste preciso momento em promoção no Steam. Os fãs de jogos como Pandemic e outros tantos de estratégia hardcore vão poder extravasar as suas tensões do mundo real neste título, que volta a solidificar o estúdio polaco como um dos criadores com maior potencial no mercado dos jogos de estratégia.













