Este ano de 2020 é aquele em que vi uma percentagem considerável da população a abraçar uma característica minha, e que é bem vincada para quem convive comigo de forma mais próxima: a germofobia. Nem vou precisar de vos pedir para imaginarem o que a coisa é, porque decerto muitos dos que nos lêem algures nestes quase 5 meses de pandemia já devem desinfectado maçanetas, caixas de cereais e fruta, como se elas tivessem acabado de s andar a esfregar no reactor número 2 de Chernobyl. Isso que sentem com maior ou menor intensidade desde Março deste ano resume a minha vida toda. É divertido não é?

E por falar em divertido, o que é que eu precisava mesmo? De um headset wireless que já vou no segundo com fios que se estraga durante a pandemia (ambos já tinham uns aninhos). Ah, isso e de um party game sobre germes. 

Gerrrms acabou de chegar à Switch, e nos últimos dias tem sido fonte de um riso contagioso cá em casa. Com modos de jogo divertidos e altamente virulentos que nos põem a controlar uns germes com ar simpático e com nomes de pessoas normais.

Esta foi uma das oportunidades perdidas de elevar o humor deste jogo para outro patamar. Com uma série de germes para desbloquear logo no início do jogo, o meu filho perguntou quase de imediato qual deles era o coronavírus. A resposta simples: nenhum. Mas temos a Kate, que é sorridente.

Outra curiosidade dele, e que poderia ter dado um sabor diferente ao jogo seria a diversificação dos vírus, criando uma assimetria mecânica. Ele julgava que a existência de tantos germes diferentes significava que eles teriam estatísticas diferentes. Mas não. Os personagens que nos preenchem o ecrã de escolha são todos baunilha, ao qual podemos adicionar uns corantes de cor para uma leve customização.

Mecanicamente este Gerrrms é muito simples. Sem pernas para andarmos, ficamos a pairar num espaço simulado do interior de um corpo humano, e ir agarrando uns pontos fixos com uma espécie de bracinhos celulares que nos permitem rodar à volta de um poste. Tudo isto para tentarmos encontrar a forma mais eficaz de nos locomovermos pelo nível.

Os modos de jogo não são inovadores, e representam bem os standards dos multiplayers contemporâneos. De “capture the flag” onde temos de andar com a bandeira a encher uma barra que determinará a nossa vitória (sendo que ela, quais germes na vida real passam de jogador para jogador com um mero toque), um “passa a bomba” e “deathmatch”. O que vai diferenciando de modo para modo são os power ups disponíveis em cada partida. 

Apenas um power up com cooldown pré-estabelecido está disponível em cada ronda. Seja ele um pequeno dash que nos faz escapar dos restantes germes com alguma ligeireza, um mão que nos permite roubar a bandeira ou atirar a bomba para outro jogador, ou umas bolhas de gosma que reduzem a velocidade e que podemos atirar para qualquer germe, nós incluídos.

Existem missões single player que nos obrigam a cumprir com determinados achievements para ir desbloqueando novos personagens.

Gerrrms, como a maioria dos party games, tem o “tempo contado” em termos de diversão. Exceptuando os momentos em que temos alguém com quem jogar, rapidamente sentimos que a sensação de novidade de esfuma rapidamente. A falta de diversidade mecânica e o número limitado de modos fazem com que Gerrrms se esgota demasiado rápido para a saúde do jogo. 

Por 9,99€ Gerrrms apresenta-se demasiado limitado na sua oferta para merecer o nosso investimento. Há outros party games mais diversificados e com uma longevidade bem maior ao mesmo preço, e que incluem variantes single player que estendem o seu usufruto para os meros momentos de “festa”.