
Caçada Semanal #235
Desculpem se se sentiram enganados, mas esta não é uma caçada sobre aquela que é para mim a melhor série de animação da década passada: Adventure Time. É, aliás, uma caçada dedicada a jogos indie de aventura, com abordagens e níveis de qualidade e execução diferentes. mas que representam muitas e muitas horas de aventuras.
Dreamscaper [PC, Switch]

Na caçada de ontem falámos de jogos que metaforizam depressões e é curioso ver chegar este Dreamscaper. Neste jogo somos Cassidy, uma mulher deprimida que encontra nos seus sonhos uma forma de combater o sofrimento do dia a dia. Os níveis são locais que ela visitou, acordada, e que a relembram de momentos marcantes da sua vida.
Dreamscaper é um roguelite ao velho estilo hack ‘n slash. Começamos com murros apenas mas vamos apanhando novo equipamento, a maior parte dele são brinquedos de crianças que assumem aqui um papel de arma de ataque.

As mudanças de builds, armas e armaduras ao longo dos níveis representam e bem a quantidade de itens que vão caindo, e que nos permitem adaptar-nos on the fly às ferramentas que vamos apanhando aleatoriamente como loot.
Sempre que morremos perdemos todos os itens que recebemos e Cassidy acorda e continua a sua vida normal. Podemos contactar com os personagens da sua pequena cidade, desenvolver relações com eles, o que vai desbloquear power ups e buffs para utilizarmos no combate.

A metáfora de transformar os segmentos de ARPG em sonhos lúcidos é uma manobra genial dos seus criadores, fazendo deste Dreamscaper algo completamente único na paisagem dos roguelites contemporâneos.
The Ambassador: Fractured Timelines [PC, Xbox One, Switch]

Se Dreamscaper traz algo completamente diferente à abordagem dos roguelites, já The Ambassador: Fractured Timelines não poderia ser o mais cliché dos twin stick shooters com laivos de RPG, apesar de ter ideias originais que são perdidos na sua medianidade.
Em termos de enredo, The Ambassador: Fractured Timelines movimenta-se nos lugares comuns dos jogos de fantasia, onde assumimos o papel de um recém-formado Embaixador do Tempo que vê o reino ser subitamente atacado. Cabe-nos utilizar as nossas habilidades únicas para repor o status quo.

Apesar de rapidamente sentirmos que existem melhores twin stick shooters com laivos de roguelite e tantos outros jogos com melhor pixel art que The Ambassador: Fractured Timelines, a realidade é que há aqui ideias originais que poderiam ter sido melhor exploradas.
A nossa arma, apesar de ser melee, tem de ser arremessada. Se falharmos o alvo ela cai ao chão e temos de a ir apanhar. Por outro lado, e como Embaixadores do Tempo, conseguimos reduzir o tempo, facto interessante nos momentos mais bullhet hell deste twin stick shooter.

Ainda assim, com estas ideias originais que rapidamente se esgotam, The Ambassador: Fractured Timelines não consegue cumprir o seu potencial, e vai ser apenas mais um jogo de um género que está amplamente saturado.
https://www.youtube.com/watch?v=Jgfv8rme6Ow
Ary and the Secret of Seasons [PC, PS4, Xbox One, Switch]

Ainda longe do seu estado final, já dá para perceber a grande inspiração de Ary nessa magnum opus da animação que é Avatar: The Last Airbender. Os trailers inicialmente divulgados e a demo disponibilizada para antevisão comprovam isso mesmo, e tornam também possíveis as ligações visuais (e não só) aos melhores jogos de aventura tridimensionais, nomeadamente a The legend of Zelda. Mas com inspirações e ligações tão fortes, será que esta sneak preview a Ary and the Secret of Seasons nos mostra algo de interessante?
Em termos de enredo, conseguimos ir percebendo o mundo onde Ary habita, e as suas convulsões e problemas. O seu pai é o Guardião do Inverno, e consegue controlar o frio associado à estação. Um cargo que se torna ainda mais pesado enquanto a família está a lidar com o desaparecimento do irmão de Ary, que é indubitavelmente uma protagonista promissora, bem construída e ainda melhor interpretada pela sua voice actress.

As dungeons presentes nesta demo que têm de ser resolvidos com os poderes das estações, permitindo um vislumbre ao level design dos puzzles que vão surgindo progressivamente, à medida que a nossa personagem vai ganhando os seus poderes. Apesar de haver pouco conteúdo neste momento, as mecânicas associadas às estações do ano são bem exemplificadas.

O único senão, neste momento, é a excessiva simplicidade do combate, que tem ainda muito a aprender com a evolução mecânica que Zelda foi tendo ao longo dos anos. Ainda assim, este Ary and the Secret of Seasons é uma das maiores promessas do mercado indie nos jogos de aventura. E deixa antever um excelente jogo, quando estiver fully released.













