É isto na TV (com um DOT) e Chocapic a acompanhar

Não sei o que vocês faziam com as vossas prateleiras aos Sábados de manhã em 2000. Eu cá divertia-me imenso.

Vinte anos depois, apercebi-me que a minha colecção de jogos tem muito desse meu imaginário infantil. Da imagem que vos partilho as origens dos jogos podem não ter sido o anime (só no caso de Digimon Story), mas foi aí que as suas influências se tornaram mais profundas. Não sei como aconteceu com quem me está a ler ou com os miúdos de 2020, mas a maior parte dos media que gosto de consumir em adulto têm fortes influências em desenhos animados que vi.

Terem chegado à minha colecção de videojogos não é, pois, uma surpresa. É por isso que falo em media, porque podia escrever este texto sobre filmes, televisão, livros ou até música. Aventura, shonen, transformações, super hérois, ficção científica, coleccionismo ou no fundo qualquer coisa que pareça não pertencer a este mundo são tudo coisas com as quais tive contacto por via de Power Rangers, Navegantes da Lua, Dragon Ball, Campeões Oliver e Benji (Captain Tsubasa), X-Men e Spiderman Animated Series, Evangelion, Pokémon, Digimon ou Yu-Gi-Oh!.

“Vamos comprá-los todos!”

A minha resposta óbvia ao porquê de querer transcender aquilo que vi no pequeno ou grande ecrã para um videojogo é a interactividade da coisa. Consigo lembrar-me de pelo menos duas fotografias de escola em que metade da turma está a fazer um Kamehameha para o fotógrafo. Quero muito experienciar essas realidades fora deste mundo através das minhas próprias ações.

Uma menos óbvia será a riqueza dos universos imaginados, que não são levados a todo o seu potencial. Tantos ataques de Son Goku que eu faria diferente. Tantos onzes inciais diferentes em Captain Tsubasa. Tantos Mega Zords para brincar em Power Rangers! Ou a maravilhosa tarde que se passa nos estúdios de Harry Potter em Londres…

Nas quatro franquias de videojogos que vos apresentei ao início, a simbiose entre jogo e anime é muito evidenciada. Não me importa muito comparar se se fazem melhores animes baseados em videojogos ou melhores videojogos baseados em animes. Seja a seguir os mesmos arcos narrativos ou a encarar o material original (que na maioria dos casos costuma ser o manga) com mais liberdade. Há bons e maus exemplos em qualquer das iterações.

Ta-na-na-na-na-na, na-na!

Por estes dias vemos lançados Captain Tsubasa: Rise of Champions ou Samurai Jack: Battle Through Time, e a presença destes IPs de animação noutras plataformas só parece ter tendência para aumentar. Nos últimos dez anos os revivalismos, particularmente no cinema mas também com os remakes/remasters nos videojogos, consolidaram uma perpetuação de certos personagens ou universos. Economicamente faz sentido para os criadores – os fãs também vão ter muito com que se entreter durante décadas. O problema é que como arte, estas coisas têm sido levadas à exaustão. Afinal, eu devia gostar de mais coisas do que o Óscar de nove anos, não?