Com uma caçada de indies prestes a sair com o tema de festa e de comida, Bake ‘N Switch encaixa perfeitamente na sequência e é o jogo perfeito para quem já se deliciou com Overcooked. O espírito é mais ou menos o mesmo: unir esforços para se conseguir cozinhar algo. Neste caso, criaturas feitas de pão, que temos de amassar e atirar para o forno o mais rapidamente possível.

São essas criaturas-fofas-de-pão que são o centro de toda a jogabilidade, em muitos e muitos níveis que são duros de roer, como aquele pão que temos há várias semanas dentro do saco, que ainda não tem bolor, mas que só um pedreiro com uma picareta conseguiria fazer açorda deles.

A obrigatoriedade de se jogar Bake ‘N Switch pelo menos a dois não é muito grave se vivermos sozinhos ou se ainda estivermos em confinamento, já que a versão de Steam até conta com Remote Play Together. 

Apesar de Bake ‘N Switch possuir campanha Co-Op e PVP, grande parte do tempo que tenho estado em alegre manufactura de pão místico por terras deste indie tem sido passado no modo cooperativo.

Não sei quem escreveu o conceito deste jogo, mas espero genuinamente que essa pessoa estivesse pedrada com o cheiro de pão acabadinho de fazer. É que só isso justifica encontrar-se uma ideia tão deliciosa como a que dá corpo a Bake ‘N Switch: um mundo ameaçado por criaturas de bolor e outros problemas gastronómicos, mas que têm uma solução simples: cozer criaturas-pão das mais variada forma como forma de alimentar os poderes dos guardiões do mundo.

Em termos mecânicos isto tem uma tradução simples: o forno, colocado em cada nível, tem uma indicação de que tipo de criatura-pão necessita naquele momento. O nosso objectivo é pegar nessas criaturas, amassá-las com outras idênticas, e atirá-las para a cozedura para fazer pão. Tão simples como isto, nos primeiros níveis. Até que criaturas diferentes começam a surgir, e pequenas piscinas de molho com sabores de fruta para os demolharmos, para além de uma panóplia de inimigos que querem destruir estes pequenos pãezinhos conscientes.

Podemos esmurrá-las, vá, amassá-los à pêra, para elas se juntarem e ficarem cada vez maiores até atingirem a massa crítica de 30, número a partir do qual já não conseguimos adicionar mais “massa” ao “bolo”. Se acertarmos no pedido que o forno místico nos faz, há uma série de pães a surgirem cozidos para apaziguar a vontade dos Guardiões, se entregarmos o tipo errado vamos ter um desconto na nossa pontuação.

Bake ‘N Switch vai mais longe do que eu esperava na criação do seu elenco. Cada personagem tem estatísticas únicas, e conduz a formas de jogar para um título cujo foco central é até bastante linear. Eu sei que isto assim assusta quem olha para o jogo com o descomprometimento que ele merece, mas a realidade é que para uma premissa tão simples quanto a que este jogo tem, é interessante ver que as diferenças entre os personagens, apesar de subtis, são facilmente identificáveis mecanicamente.

E não faço apenas dos poderes especiais associados a cada um dos personagens, que pode ser activado quando a barra especial se enche na curva sob os seus pés. É mesmo a agilidade de movimentos ou a força como atiram as criaturas-pão pelo nível.

Bake ‘N Switch tem igual quantidade de diversão como de desafio na sua receita, e o resultado é um excelente pão daqueles que ainda crepitam de tão quentes que estão, que derretem a manteiga logo que a faca se aproxima. Um indie divertidíssimo e que é um excelente sucessor de Overcooked, numa altura em que o terceiro jogo da série está em vias de sair do forno.