Há quem possa perguntar, e de forma legítima: “porque raio é que eu preciso de um clone de Pokémon se já tenho Pokemon?”. A resposta, sem cair numa lilicanecização da resposta, é que nos dias de hoje já nem Pokémon quer ser mais do que apenas Pokémon. Portanto há clones que possivelmente querem levar a coisa um bocadinho mais longe. 

Clones de Pokémon é algo que temos visto chegar às diversas plataformas com alguma recorrência. Desde TemTem a Monster Crown, em todas as plataformas há tantos jogos a quererem sorver desse filão dourado de Pokémon, coisa que se tornou ainda mais habitual com a crescente democratização dos meios de desenvolvimento e de publicação. O que há mais de 10 anos entrava na categoria de Fakemon (e tantas maravilhas criativas foram feita sob essa égide), hoje é quase um subgénero assumido em que ninguém esconde a influência.

Nexomon começou como um sucesso do mercado mobile, e seria de esperar que mais tarde ou mais cedo chegasse ao PC e às consolas. E chegou, realmente, sob o nome Nexomon: Extinction um jogo tão auto-consciente de que é um clone de Pokémon que abraço esse facto com um misto de encolher os ombros e jocosidade. O resultado é um dos clones de Pokémon, que ainda assim, tal como o jogo que lhe dá origem, está pejado de falhas.

Não esquecendo que sou um acérrimo fã de Pokémon, e que basta um jogo mostrar-me a perna, que é como quem diz, uma batelada de criaturas diferentes para coleccionar, e eu vou lá a correr. Nexomon: Extinction é bem simpático nesse campo, são 381 criaturas para domar, permitindo muitas e muitas horas de jogo sem necessitarmos de comprar versões adicionais.

Há mais dos Pokémon da NDS aqui do que de qualquer outra geração. Seja pelo ponto de vista clássico do jogo, ou mesmo pelo tom do próprio enredo, que, convenhamos, é bem mais acelerado a desenvolver-se do que a quase totalidade dos jogos de Pokémon.

Com todos os elementos iguais entre Nexomon e Pokémon, como o sistema de pedra-papel-tesouro dos elementos, passando pelo nome dos itens, a realidade é que este jogo lançado pela PQube é bem, bem, mais difícil do que qualquer Pokémon.

O dinheiro não abunda, e os itens, mesmo as poções, são demasiado caros em comparação com o dinheiro que obtemos. Mesmo para comprar as Nexotraps (as Pokébolas cá do sítio) não existe dinheiro que nos permita andar com centenas de armadilhas no bolso. 

A party está limitada a 6 criaturas mas Nexomon obriga-nos mecanicamente a trocar mais do que Pokémon. Na série da Nintendo temos o hábito de ter um Pokémon principal que defronta todos os combates e os outros estão ali quietos apenas a receber XP. Aqui, não só não existe XP Share (mas vai ser implementado em breve) como o sistema de ataques é feito com uma barra de energia. Os ataques mais fortes gastam mais energia, e finda essa barra o nosso Nexomon fica exaurido e não consegue combater, ficando a “descansar” no turno sem agir, recebendo alguma stamina em troca. O próprio jogo obriga-nos a ir trocando criaturas, visto que os combates são bem mais longos do que em Pokémon. Um ataque eficaz (com superioridade elemental) vai tirar apenas um segmento da barra de vida, ao invés dos 1-hit-kills de Pokémon. O que não só estende os combates como nos obriga a ir trocando de Nexomon graças à exaustão que eles vão sentindo.

O sistema de captura é possivelmente uma das melhores alterações deste Nexomon: Extinction. Antes de começarmos a captura, temos uma indicação da percentagem de probabilidade de sucesso e as contribuições de buff ou debuff que o Nexomon possa ter. Depois de atirarmos a Nexotrap, temos um pequeno mini-jogo de QTE para carregar em botões em sequência para tentar apanhar a criatura, e o resto são probabilidades.

Em termos de direcção de arte, parece-me que trazer os mundos da NDS para um visual dos dias de hoje, misturados com as ilustrações e animações das criaturas em combate tornam este Nexomon: Extinction uma boa fonte de orgulho para os seus criadores, até quando comparados com os visuais mais empobrecidos dos jogos recentes da série Sword and Shield.

Nexomon: Extinction tem bastantes falhas, mas é um bom sucedâneo da série Pokémon, especialmente para quem não possui uma Switch (e mesmo para quem tem, continua a ser uma boa aposta). Um dos melhores e mais sólidos clones de Pokémon que necessita de uma série de aprimoramentos para tornar a sua jogabilidade menos grind-based, e aproximar o sistema de evolução e progressão mais próximo da série Pokémon. O meio termo entre estes dois jogos seria o ponto perfeito: nem excessivamente hardcore grind, nem demasiado fácil como os Pokémon correntes. Pode ser que patches futuros apliquem isso mesmo.