Poucos city builders conseguiram conquistar público para além das fronteiras da comunidade afecta ao próprio género como Frostpunk. O segredo, diria, está muito para além da tremenda qualidade deste jogo, é a mistura com elementos de survival e a seriedade do tom de todo este mundo que o tornam um dos melhores da década passada.

Que o sucesso de Frostpunk iria dar origem a uma série de DLCs, já toda a gente estava à espera. On the Edge é o último, segundo os seus criadores, e apresenta-nos mais uma mini-campanha e novos elementos mecânicos para conhecer. Mas depois das mini-campanhas envolventes que os anteriores DLCs nos trouxeram, este On the Edge é possivelmente a expansão mais fraca.

On the Edge é uma sequela directa ao jogo base. Seguindo a implementação da sociedade em New London, cabe-nos a tarefa de criar um entreposto num Armazém Militar abandonado e criar linhas de abastecimento. 

Por estarmos a controlar uma localização secundária não temos acesso ao Livro das Leis, o que significa que temos sempre de esperar que New London defina as regras para a sobrevivência da nossa sociedade. 

Frostpunk é, por si só, um jogo bastante difícil. On the Edge eleva esse desafio, visto que o nosso entreposto não possui um gerador, o que leva a sobrevivência ao frio a ser uma tarefa bem mais inglória. Este novo DLC foca-se na nossa capacidade diplomática, de encontrarmos novos sobreviventes e de tentarmos estabelecer trocas. Afinal, na nossa zona os recursos não abundam, e o grande ónus da nossa sobrevivência é centrado na nossa capacidade de perceber as necessidades e ofertas das comunidades à nossa volta.

On the Edge é também menos consequente nas nossas escolhas do que o jogo base. Das milhentas vezes em que vi a minha sociedade ruir em Frostpunk, muitas delas sentia o contributo das minhas escolhas na minha própria derrocada. Neste DLC isso é menos perceptível. Conceptualmente percebe-se: um entreposto não é tão impactante em termos de governação, nem esse é o foco desta expansão, mas é fácil sentir que há algo primordial de Frostpunk que se perde na neve.

Frostpunk é tensão constante. Penso que parte do meu carinho pelo jogo é o facto de ele ser tão palpável em termos de nervosismo imposto, de sabermos que, apesar de virtual, a sobrevivência daquela comunidade depende de nós. 

Um jogador experiente em Frostpunk consegue terminar esta mini-campanha de uma assentada, e provavelmente ficará com um sabor agridoce nos lábios. Por um lado por sentir que de toda esta viagem, On the Edge é a paragem menos satisfatória, por outra por percebermos que o trajecto chegou finalmente ao fim.

Não sei o que o futuro reserva aos 11 bit studios depois da genialidade das suas últimas duas produções (This War of Mine e Frostpunk) a certeza que tenho é que será emocionalmente pungente e mecânica, criativa e tecnicamente brilhante.