Este ano de 2020 é realmente uma montanha-russa. Ainda nem há semana e meia dizia que já tinha encontrado o melhor jogo de futebol do ano, mas mal estava eu ciente de que rapidamente iria mudar de ideias. E nem foi com FIFA, foi mesmo com Street Power Football. Estou a brincar. Se estão a olhar para este jogo posso já dizer-vos que não há nada para ver aqui. Sem ser uma das piores homenagens a uma série de jogos que andamos todos a desejar que regressasse.

Fez agora um ano que o meu co-editor, amigo, e compadre desenterrou outro jogo obscuro da memória, que sorvia da linha de Fifa Street. Bem sabemos que a probabilidade de Fifa Street regressar é praticamente nula, especialmente numa era em que o próprio FIFA já o integra sob forma, mais coisas menos coisa, do Volta Football. 

É provável que seja mesmo a pensar nisso que os estúdios SFL Interactive e Gamajun se juntaram para espetarem no mercado este sucedâneo mal amanhado por 49,99€. Leram bem. Alguém na editora Maximum Games tinha tanta confiança que o mercado estava sedento por um novo Fifa Street que até se atiraram de cabeça a colocar este jogo a full price.  Isto é o equivalente em videojogo àquela dúzia de jogadores que o Benfica vendeu a 15 milhões cada ao Valência. 

Já se viu que 50 euricos é algo sobrevalorizado como vão ver. A menos que tenham saudades de justaposições manhosas de filmagens sobre fundos. O herói deste jogo é uma das lendas do futebol freestyle, “Séan” Garnier, que aparece filmado à frente de um fundo em croma, tão mal colado em pós-produção que apostaria que deram este trabalho ao estagiário lá do sítio. Garnier fala-nos da nossa missão para nos tornarmos os reis da rua, com truques e toques na bola. 

Street Power Football inclui vários modos, mas nenhum deles está aprimorado o suficiente para merecer a nossa dedicação. Desde a física estranha que nos faz olhar para o calendário para nos lembrarmos que estamos em 2020 e há coisas que nem num indie mediano vemos, facto que é exponenciado pela baixa qualidade visual deste jogo. Que quase nos faz pensar que o Fifa Street até era à frente do seu tempo.

Para além de termos modos co-op e versus, grande parte deles remetem-se a partidas que vence a equipa que marcar primeiro 5 golos, em 1v1, 2v2 e 3v3. Algo que já andam a fazer no modo Volta Football do Fifa 20 há pelo menos 1 ano, e que está infinitamente mais bem desenvolvido do que este jogo.

O modo trickshot coloca-nos a apontar a mira dos nossos ténis a alvos específicos, num desafio que se esgota mais rapidamente do que a nossa vontade de rever o Game of Thrones desde o início, agora que sabemos quão mal ele acaba.

Por fim temos o freestyle, que é jogo de ritmos com QTE, mas não o único. Temos também Panna, onde o objectivo é fazer uma “cueca” ao adversário. Peguem nisto tudo, embrulhem de forma mal amanhada e têm o modo de campanha onde competimos nestes modos todos para sermos os reis da street. Com o espectro mal cortado do Garnier a dar-nos sugestões, como um Obi-Wan Kenobi de vão-de-escada.

Street Power Football é mau. Acreditem. Se têm um mínimo de curiosidade em jogar um jogo de futebol, peguem nos 49,99€ e comprem o Captain Tsubasa. E nem se fala mais nisso.