Assumindo-se como um remake, um reboot e até uma sequela, os Battletoads estão de regresso 26 anos depois, não do jogo original, lançado em 1991 na NES, mas a sua versão Arcade, conhecida como Super Battletoads de 1994. E são os próprios a assumir que viviam num armazém repleto de máquinas arcade, onde são lendas, para serem libertados ao mundo como os vemos nesta nova aventura.

O humor desmedido continua patente na série criada pela Rare, mas que foi metida na gaveta durante estes anos todos. O original foi criado como uma espécie de paródia ao sucesso das Tartarugas Ninja, e neste caso, são mesmo sapos e não rãs, como muitos lhes chamam. E eles não gostam. Segundo muitos jogadores da velha guarda, este é considerado um dos jogos mais difíceis de sempre de passar. 

O novo capítulo não foi produzido pela Rare, mas sim entregue à Dlala Studios, que procurou oferecer todos os elementos nostálgicos dos jogos anteriores, mas adaptado à realidade atual, ao nível da direção artística muito cartoon, patente nos gráficos e cut scenes, assim como a fluidez da jogabilidade. O jogo, e todo o seu humor, lembra-me desenhos como Cow and Chicken e Ren & Stimpy, seja ao nível das animações exageradas, como as suas piadas non sense, cuja maioria nem as conseguimos apanhar. Mas há ali também algo de Earthworm Jim, não sei bem explicar… 

E mesmo as vozes das personagens salientam ainda mais o tom humorístico, num excelente trabalho dos atores. No geral, ao nível das animações, banda-sonora e voice acting, o jogo lembra a série de animação lançada no início dos anos 1990. E mesmo a velha arqui-inimiga, a Dark Queen, está de regresso, para atormentar, ou não, os Toads. E as guitarradas da banda sonora são igualmente nostálgicas. 

O jogo foi produzido para serem jogados três jogadores em cooperativo na mesma plataforma, infelizmente sem suporte online, o que é uma falha. Jogos como Streets of Rage 4 demonstra que é possível produzir jogos de combate sidescrolling acompanhados de amigos online, infelizmente não é o caso em Battletoads

No entanto, jogado a solo a aventura incentiva a trocar entre os três irmãos tresloucados, não só pelo seu leque de habilidades e golpes de combate serem distintos, mas porque os mesmos são mais eficazes contra determinados inimigos. Enquanto que Rash é bem mais rápido e ágil, ideal para inimigos que estão espalhados pelo cenário, Pimple é mais lento, mas muito mais forte, sobretudo contra adversários que usam escudos. Depois temos Zitz que é um meio termo entre os dois. 

As mudanças de personagem funcionam como um sistema de tag, com a entrada em campo da nova personagem a atordoar os inimigos por perto. Sempre que uma das personagens fica sem energia fica de fora da batalha por alguns segundos, sendo substituído pelo seguinte. Só perdem se as três ficarem sem energia e não puderem ser trocados. 

A pergunta que devem estar a fazer é se este é mais ou tão difícil como os jogos que lhe deram a fama. A resposta é não. O estúdio quis captar a essência das três personagens num contexto atual, e embora seja desafiante, raramente vão ficar presos. a não ser que escolham dificuldades muito acima, normalmente vão avançar bem pela aventura. Os inimigos são duros, funcionam por padrões de ataque, obrigando o jogador a habituar-se ao mesmos. Mas há checkpoints bem acessíveis durante os níveis, pelo que nunca existem situações verdadeiramente frustrantes. 

Os Battletoads apresentam diversos golpes, numa sucesso de combos impressionante. Entre ataques fortes e rápidos, projeções no ar e habilidades especiais. E ainda podem usar a sua língua para puxar inimigos ou cuspir pastilha elástica para os prender momentaneamente. Há ainda um botão de ataque forte, que necessita ser pressionado durante alguns segundos para partir escudos dos adversários. 

Mas não se pense que Battletoads é o típico jogo linear de combate em side scrolling 2D. Todo o gameplay serve a história, e neste caso apresenta diferentes elementos de interação, entre desafios, corridas e mini-jogos. Fez-me mesmo lembrar o Nier Automata pela variedade de níveis completos dedicados a uma mecânica. Há jogos de perícia ou rítmicos, há tira teimas através do Toad Samb Bo, as olimpíadas Toad e sistemas de hacking para ultrapassar. 

Mas há também plataformas 2D, corridas de mota com obstáculos, deslizar entre plataformas montado numa das personagens desmaiadas e até diversos níveis de jogos de naves, intensos e frenéticos, ao estilo bullet hell. Há muita variedade de ação durante os quatro actos, divididos em diversos níveis, que embora não ofereçam uma grande longevidade, pelo menos a diversão está garantida do início ao fim.

O remake de Battletoads é uma aventura tresloucada com personagens que parecem ter saído de um manicómio, resultando numa experiência diversificada e divertida. É esteticamente muito bonito e certamente que irá agradar aos velhos fãs de Rash, Pimple e Zitz.