A série Shantae encaixa-se no género de metroidvania, mas com um twist em relação aos jogos que lhe serviram de inspiração: invés de mundos negros e monstros para derrotar como Castlevania e Metroid, o universo criado pela WayFoward é tudo sobre cor, danças do ventre e semi-géneas. As aventuras de Shantae destacam-se pelo tom cartoon, como se estivéssemos a ver aqueles desenhos animados que davam no sábado de manhã. 

Este é o quinto capítulo da série, considerando que a sua estreia deu-se no Game Boy Color, definindo desde logo o tom que ficaria marcado em toda a série: uma aventura que mete a magia das semi-génias, num ambiente de piratas das Caraíbas. E mesmo a eterna arqui-inimiga da protagonista, a pirata Risky Boots, continua a atormentar a divertida personagem neste novo Seven Sirens

De relembrar que, apesar deste título ter surgido no PC e consolas recentemente, este capítulo foi assegurado pela Apple como um exclusivo temporário para o serviço Apple Arcade, que foi lançado em duas partes, separadas por seis meses, em setembro de 2019. Mas não se preocupem que a nova versão compila a aventura completa. 

Para quem conhece a série, Shantae and the Seven Sirens apresenta o mesmo vibe divertido e colorido, repleto de momentos de humor e muita música e danças do ventre. Mas o estúdio decidiu elevar um pouco mais a fasquia dos visuais e fez-lhe um tratamento superior no que diz respeito à cinemática de introdução e outras cut-scenes narrativas durante o jogo, aproximando-o ainda mais ao estilo manga japonês. Para isso contou com a ajuda do estúdio japonês Trigger, conhecido sobretudo pelo anime Kill La Kill, que saiu um pouco fora do seu habitat da televisão. O jogo ficou ainda mais apelativo, sobretudo para aqueles que procuram um jogo do género mais leve que o habitual. 

A história tem início quando Shantae e as suas amigas são convidadas para uma ilha onde todas as meias-génias estão a reunir-se para uma competição de danças do ventre. Antes de começar todas são raptadas, menos a protagonista, cabendo-lhe encontrá-las e descobrir o que Riscky Boots está agora a congeminar.  

No entanto, Seven Sirens apresenta um autêntico labirinto, mini mapas temáticos todos interligados num enorme mapa global. E como é habitual no género, terão de encontrar novas habilidades para abrir novos caminhos impossíveis de percorrer anteriormente. É a fórmula mais conhecida dos metroidvania, que neste caso intercala com pequenas aldeias com personagens para interagir, lojas para comprar itens ou aceder à sala de teleporte para outros lugares. 

Apesar da fórmula conhecida, o jogo tem alguns momentos em que perdemos tempo a descobrir para onde é a seguir. É normal, mas mesmo que sabemos qual a zona que queremos visitar, o mapa não descreve o seu nome, mesmo os respetivos teleportes não dizem o nome do lugar. Torna-se por vezes frustrante ter que picar diferentes locais à procura do sítio onde nos lembramos haver uma abertura que deixamos anteriormente para trás. 

Cada mapa dá acesso a uma masmorra e no final um boss para enfrentar. Mas primeiro há que salvar uma das cinco semi-génias que nos dão uma habilidade especial: curar, eletricidade, terremoto ou revelar objetos ocultos, que tanto têm efeito nos cenários para resolver puzzles, como afectam certos inimigos. 

Há ainda outras habilidades especiais para avançar no mapa: a capacidade de transformar em sapo para nadar; numa espécie de toupeira para perfurar a terra, uma tartaruga para destruir rochas ou um insecto para trepar pelas paredes. Todas as mecânicas são necessárias para chegar a novos locais e enfrentar os diferentes desafios e podem ser acessíveis através de um simples botão em tempo real, invés da necessidade de se transformar permanentemente. 

A personagem tem como ataque principal o seu longo cabelo que faz de chicote, mas pode usar algumas habilidades que gasta a barra de magia. Estas podem ser adquiridas na loja, desde bolas de fogo, mísseis, bumerangues ou escudos protetores. A ação é intensa e divertida, alternando entre os típicos momentos de saltos entre plataformas, pequenas arenas de combate e resolução de alguns puzzles. 

De considerar ainda que os inimigos largam cartas que podem ser equipadas, melhorando alguns aspetos da personagem, tais como proteção, mais velocidade de ataque e outras que permitem construir uma build mais completa da personagem. 

De um modo geral, o jogo não é muito desafiante, mesmo os bosses são relativamente simples de enfrentar, depois de descobrirmos quais as suas mecânicas e pontos fracos. Mas é divertido, as animações e o grafismo são muito coloridos, e as músicas convidam a assobiar. É um bom capítulo da série, ainda que a WayFoward não tenha arriscado muito na fórmula habitual. É possível completar a história entre seis a sete horas, mas podem sempre passar mais tempo a tentar encontrar os itens colecionáveis.