
Lembram-se daqueles puzzles em que temos de arrastar peças para as colocar no local certo, mas que não temos qualquer controlo sobre as mesmas, a não ser quando embatem num obstáculo? Keen: One Girl Army bebe dessa mecânica, colocando-nos no controlo de uma personagem que se move pelos níveis a escorregar até bater em algo.
E até tem uma história. A jovem Keen não parece muito bem-disposta quando descobre uma conspiração de uma sociedade secreta que planeia destruir a sua aldeia. A jovem de oito anos parte numa missão de justiça para eliminar qualquer perigo à sua frente.
Nos cenários, apenas podem mover a personagem na horizontal ou vertical e isso é quase tudo o que necessitam para experienciar esta aventura.

O twist é que temos de enfrentar inimigos, o que se torna uma dor de cabeça adicional nos movimentos necessários de planear para não sofrermos dano. Não existe um botão de ataque, tudo o que estiver no corredor da direção do movimento sofre dano da arma de Keen. O jogo é feito por turnos, pois em cada movimento da personagem, os inimigos executam os seus de seguida, e assim adiante. Keen nunca pode aterrar num espaço adjacente aos inimigos, caso contrário sofrem dano.
Este elemento abre toda uma nova possibilidade de puzzles. E o jogo está longe de ser fácil, pois a personagem tem alguns pontos de energia, o que significa regressar atrás ao checkpoint se morrerem. E à medida que avançam pelos níveis e pela história, tudo vai ficando mais difícil, com os ecrãs interligados com múltiplos caminhos e até andares. Há portas trancadas que obriga a procurar chaves, outros requerem a ativação de interruptores pela ordem correta ou mesmo por vezes, é necessário derrotar todos os inimigos para avançar.
Os cenários complicam-se com inimigos que lançam lasers, sendo necessário empurrar caixotes para proteger, para dar alguns exemplos. E até existem bosses para enfrentar, acompanhados de vagas de inimigos, utilizando a mesma lógica de movimentos, requerendo mais ataques para os derrotar, tudo em forma de puzzle, claro. Mas a personagem vai também adquirindo algumas habilidades e armas especiais que vão ajudar a derrotar os inimigos em cenários de maior confusão.

Sem dúvida que o estúdio brasileiro Cat Nigiri refinou Keen nos últimos anos, pegando num conceito tão simples, mas desafiando-nos a cada novo nível com novos sistemas e elementos de puzzles. One Girl Army presta homenagem à estética das máquinas arcade, na jogabilidade rápida e frenética, mas muito desafiante.
Objetivos de bónus como finalizar o nível sem sofrer dano ou recolher pequenas gemas pelo caminho ainda dificultam mais esta jornada. E de registar que alguns níveis são bem longos, requerendo andar para a frente e para trás, levando-nos facilmente a perder e a vasculhar para saber onde ir a seguir. E isso pode tirar alguma paciência aos jogadores.
No final das contas, Keen: One Girl Army é um jogo desafiante, baseado numa mecânica conhecida de puzzles, mas recheado de elementos originais. É desafiante, muitas vezes frustrante, direcionado essencialmente para quem gosta do género.













